sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Odebrecht entrega dados de contas que podem comprometer políticos


Imagem: Eduardo Anizelli / Folhapress
A força-tarefa de Curitiba recebeu nesta semana um leva considerável de documentos da Odebrecht que podem comprometer os investigados na Lava Jato.

Segundo envolvidos nas investigações, o material inclui de extratos bancários de pagamentos a offshores no exterior destinados a políticos a novas planilhas com nomes de receptores de recursos ilícitos que ainda não apareceram.



O material integra o MyWebDay, sistema usado no dia a dia da área de pagamentos de propina da Odebrecht, o setor de operações estruturadas, para fazer o controle interno dos repasses ilegais.

Na avaliação de procuradores, mais do que corroborar dados da delação da empresa, o material pode abrir novos flancos de investigação que não prosperaram por causa da falta de provas.

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Na segunda-feira (7), a colunista Mônica Bergamo informou que o software ainda não tinha sido acessado pelo Ministério Público. A afirmação foi feita pelos procuradores à Justiça em resposta aos advogados do ex-presidente Lula, que solicitaram acesso ao material.

O programa ficava hospedado na Suíça e foi apagado quando a Lava Jato ganhou força, em 2014. Nele estavam armazenadas planilhas com requisições e programações de pagamentos ilícitos, obras, valores e codinomes a eles vinculados, além de extratos e documentos enviados por operadores comprovando que os acertos foram realizados.

Ele foi desenvolvido pela própria empresa nos anos 1990 e acabou como ferramenta de uso exclusivo do departamento de propina.

Apesar de ter sido apagado, grande parte do material foi recuperada pelas autoridades suíças e entregue para a Odebrecht após a empresa conseguir esse direito na Justiça. Os dados foram um dos trunfos da empreiteira para fechar o acordo com os procuradores brasileiros.

Nas negociações foi acertado, porém, que só depois da homologação da leniência (espécie de delação premiada da empresa) pelo juiz Sergio Moro é que o material seria cedido à força tarefa.

Apesar da validação ter acontecido em maio, os dados do MyWebDay chegaram à Curitiba somente na segunda semana de agosto, após a Odebrecht ser cobrada a entregar as informações.

Além desse material, a empreiteira também entregou novos dados recuperados do Drousys, o sistema usado pelos funcionários do setor de operações estruturadas para se comunicar com os operadores que geravam dinheiro ilícito e os responsáveis por fazer as entregas em espécie.

O Drousys chegou a ser transferido para a Suécia com a eclosão da Lava Jato. No entanto, os dados desse sistema estão com a força-tarefa desde março.

Para entender melhor as operações, o Ministério Público Federal pediu de ajuda de Fernando Migliaccio, ex-funcionário da Odebrecht que era o responsável pelo controles de pagamentos. Preso na Suíça, ele se tornou delator, mas não integra o grupo de 77 executivos que tiveram as negociações encabeçadas pela empresa.


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Bela Megale
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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