domingo, 13 de agosto de 2017

Salvação de Temer é "ataque frontal à Lava Jato", diz Transparência Internacional


Imagem: Produção Ilustrativa / Política na Rede
A votação na Câmara dos Deputados que barrou a denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) nesta quarta-feira (2) foi uma afronta evidente à Lava Jato e aos resultados que a operação já alcançou no país, na opinião do economista Bruno Brandão, representante no Brasil da ONG Transparência Internacional.



"Foi um ataque frontal à Lava Jato e a tudo o que ela representa, que é nada menos do que a esperança do povo brasileiro de que finalmente a gente estava virando a página, começando a mudar a nossa história de impunidade absoluta de crimes de corrupção", afirma.

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Após uma série de negociações entre o governo federal e os parlamentares, envolvendo a liberação de emendas (verbas federais que os deputados podem usar em suas bases) e o perdão de dívidas, por exemplo, Temer escapou de uma investigação no STF (Supremo Tribunal Federal) de uma denúncia de corrupção apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Coube aos deputados analisar se o processo deveria ser levado adiante, mas a maioria decidiu que não há motivos suficientes para investigar o peemedebista.

A denúncia contra Temer ganhou peso com a revelação por parte do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, de uma gravação em áudio de uma conversa entre os dois. Batista contou ao presidente, por exemplo, que tinha um infiltrado na Procuradoria da República no Distrito Federal para informá-lo sobre ações da Polícia Federal que pudessem prejudicar seus negócios.

Em depoimentos, o empresário acusou que Temer estava ciente de que o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba, recebia uma mesada para manter silêncio sobre possíveis revelações comprometedoras.

Em um vídeo gravado pela Polícia Federal, o ex-assessor da Presidência e ex-deputado federal Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi flagrado com uma mala com R$ 500 mil em suborno destinado a Temer, segundo denúncia da PGR. Temer nega ter cometido crimes em qualquer uma dessas situações.

"O resultado da votação na Câmara revela que não existe horizonte para a luta contra a corrupção no longo prazo. Ela não vai perseverar, não vai prosperar enquanto não houver uma profunda reforma do nosso sistema político. Isso ficou muito claro", afirma Brandão.

Para o representante da ONG internacional, que tem como principal objetivo a luta contra a corrupção, é muito grande a disparidade entre o que o governo Temer pede da população, em tempos de crise, e o que efetivamente faz para se manter no poder.

Somente com emendas parlamentares, foram gastos R$ 4,1 bilhões entre junho e julho, período em que o escândalo da JBS veio à tona. Para efeito de comparação, esse valor tinha ficado em R$ 102,5 milhões do começo do ano ao mês de maio.

"A mensagem principal é a total e absoluta desconexão da classe política brasileira da população e dos esforços do país e da sociedade brasileira na luta contra a corrupção", critica Brandão.

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