sábado, 2 de setembro de 2017

Advogados da JBS entregam ao STF novas provas de pagamentos ilegais a políticos


Imagem: Leonardo Benassatto / Reuters
Sem saber se o ministro Edson Fachin daria mais 60 dias para apresentação de provas, os advogados da JBS entregaram nesta quinta-feira (30) à Procuradoria Geral da República (PGR) novos levantamentos, relatórios e gravações de conversas com políticos, que serão anexados ao acordo de delação.



Essas informações complementares vão embasar as investigações que estão em andamento e podem provocar a abertura de de outras apurações, porque em alguns casos surgiram novos personagens.

Leia também:
'Há chance real de mudarmos o patamar da ética pública e privada', diz Barroso

Os documentos estão em sigilo. Fontes com acesso às investigações ouvidas pelo Jornal Nacional disseram que, entre as novas gravações, há uma em que o atual ministro da Indústria e Comércio, Marcos Pereira, fala abertamente sobre um esquema de corrupção.

Na delação, Joesley Batista disse que pagou R$ 6 milhões em propina para Marcos Pereira.

Nos novos documentos, a JBS também detalhou parte do pagamento de R$ 30 milhões feitos a políticos que apoiaram a candidatura do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara.

Os delatores da JBS contam que antes mesmo de ser reeleito deputado federal em 2014, Eduardo Cunha procurou Joesley Batista e disse que gostaria de concorrer à presidência da Câmara. Ele pediu o apoio de Joesley.

O empresário daria R$ 30 milhões e o executivo da J&F Ricardo Saud, também delator, faria contato com alguns parlamentares e líderes que já tivessem recebido recursos da empresa, principalmente das bancadas de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Joesley concordou e Ricardo Saud disse que fez contato com mais de 200 deputados entre novembro de 2014 e janeiro de 2015. Eduardo Cunha foi eleito no mês seguinte, fevereiro de 2015.

A TV Globo apurou que, de acordo com os relatos dos delatores da JBS, Eduardo Cunha "com certeza" destinou recursos a pelo menos estes políticos:

- deputado federal Carlos Bezerra - R$ 500 mil - via doação oficial

- ex-deputado, atual prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão - R$ 500 mil - via doação oficial

- deputado federal Geraldo Pereira - R$ 150 mil - via doação oficial

- ex-deputado, atual vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Junior - R$ 100 mil reais - em espécie

- deputado federal Marcelo Castro - R$ 1 milhão - em espécie

- deputada Soraya Santos - R$ 1 milhão e 35 mil - notas fiscais frias

Foram citados em gravação dos delatores da JBS como destinatários de pagamentos os seguintes políticos:

- ex-deputado federal, hoje deputado estadual em Minas, João Magalhães

- deputado federal Leonardo Quintão

- deputado federal Mauro Lopes

- deputado federal Newton Cardoso Junior

- deputado federal Saraiva Felipe

- ex-deputado federal, atual vice-governador de Minas, Toninho Andrade

Os delatores da JBS entregaram provas que reforçam as acusações que fizeram sobre os pagamentos ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). E também sobre os repasses para contas no exterior que, de acordo com depoimento de Joesley, ficaram à disposição dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, do PT.

Os delatores também disseram que a JBS fez pagamentos ao ex-presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. A JBS descobriu em seus arquivos registros de pagamentos de R$ 200 mil por mês ao ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, enquanto ele estava no cargo. Rossi foi ministro de Lula e Dilma.

A JBS também entregou um longo memorial sobre os contratos que assinou com o BNDES.

Como o ministro Edson Fachin acabou dando mais 60 dias de prazo, a JBS planeja manter os levantamentos que já estavam em andamento - reunir ainda mais provas ao longo dos próximos meses - e entregar mais material em novembro. Os investigadores querem usar essas informações para entender detalhadamente como operava cada organização criminosa apontada na delação da J&F.

O presidente Michel Temer, em viagem à China, foi perguntado sobre essas novas informações trazidas pela JBS, mas não quis responder.

O que dizem os políticos

Aécio Neves - A defesa do senador Aécio Neves disse que as acusações contra ele são absurdas e que o senador nunca ofereceu contrapartida para as doações de campanha. Disse ainda que todas foram declaradas à Justiça Eleitoral.

Eduardo Cunha - As defesas do ex-deputado Eduardo Cunha, do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine e do ex-presidente Lula não quiseram se pronunciar.

Marcos Pereira - A TV Globo não teve retorno da assessoria do ministro Marcos Pereira e não conseguiu contato com a ex-presidente Dilma e nem com o ex-ministro Wagner Rossi.

João Magalhães - A defesa de João Magalhães não foi localizada.

Toninho Andrade - Procurada, a defesa do vice governador Toninho Andrade ainda não enviou resposta.

Newton Cardoso Júnior - O deputado Newton Cardoso Junior disse que recebeu a notícia com surpresa e que em nenhum momento negociou qualquer tipo de vantagem com a JBS.

Wagner Rossi - Questionado sobre o relato de que recebeu propina da JBS, o ex-ministro disse que "esse fato nunca ocorreu".

A reportagem ainda busca contato com: Leonardo Quintão, Mauro Lopes, Saraiva Felipe, Soraya Santos, Marcelo Castro, Manoel Junior, Geraldo Pereira, Fernando Jordão e Carlos Bezerra.

Veja também:


 
 

Vladimir Netto
TV Globo
Editado por Política na Rede
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...