quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Após duas horas, chega ao fim segundo depoimento de Lula para Sergio Moro


Imagem: Heuler Andrey / AFP
Com duas horas e dez minutos de duração, o interrogatório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao fim às 16h26 desta quarta-feira (13). Foi o segundo encontro presencial entre o petista e o juiz federal Sergio Moro, que comanda os processos da Operação Lava Jato na primeira instância --a primeira audiência, em 10 de maio, levou quase cinco horas.





Na audiência desta quarta, Lula respondeu pelas suspeitas de participar de um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras. Ainda não se sabe o conteúdo do depoimento, que só será divulgado quando a Justiça Federal publicar o termo de audiência, uma ata com os presentes no local e determinações de Moro --o termo só é feito quando encerrada a audiência. 

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O juiz manteve o segundo interrogatório do dia, de Branislav Kontic, ex-assessor do ex-ministro Antonio Palocci. Por isso, levará mais tempo para que os vídeos do interrogatório de Lula sejam divulgados.

As audiências não têm limite de tempo, mas, neste processo, duraram no máximo seis horas. Foi o que aconteceu no primeiro dia de interrogatórios, quando as falas de Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, e Paulo Melo, ex-diretor da empreiteira, duraram cerca de seis horas, no total, chegando às 20h do dia 4 de setembro. Marcelo foi interrogado por cerca de três horas e meia e Melo, por pouco mais de uma hora. O interrogatório de Demerval Gusmão, dono da DAG Construtora, durou quase duas horas em 6 de setembro.
O processo

A ação penal desta quarta trata de um suposto esquema de corrupção envolvendo oito contratos, firmados de 2004 a 2012, entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras.

Com desvios que chegaram a R$ 75,4 milhões, segundo denúncia do MPF, Lula teria sido beneficiado com a compra de um terreno em São Paulo que seria sede do Instituto Lula e com a aquisição do apartamento vizinho ao em que ele vive, em São Bernardo do Campo (SP). Lula é acusado ter cometido o crime de corrupção passiva por nove vezes, e o de lavagem de ativos por 94.

Além de Lula, também são réus neste processo: 
Roberto Teixeira, advogado de Lula 
Antonio Palocci, ex-ministro dos governos de Lula e de Dilma 
Branislav Kontic, ex-assessor de Palocci 
Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht 
Paulo Melo, ex-diretor da Odebrecht 
Demerval Gusmão, proprietário da DAG Construtora 
Glaucos da Costamarques, empresário 

Teixeira será o último réu interrogado. Ele deveria ter sido ouvido em Curitiba na semana passada, em 6 de setembro. Porém, na noite do dia anterior, ele foi internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Diagnosticado com insuficiência cardíaca aguda, o advogado teve alta na sexta-feira passada (8) e passou a repousar em casa por ordens médicas. Na última segunda-feira (11), atendendo pedido da defesa, Moro remarcou o interrogatório de Teixeira, que deveria ser nesta quarta, para as 13h30 de 20 de setembro.

Passado e futuro

No primeiro interrogatório, Lula prestou esclarecimentos a respeito da acusação de que estaria envolvido no esquema de corrupção envolvendo três contratos entre a empreiteira OAS e a Petrobras. Com quase cinco horas, foi um dos mais longos da Lava Jato.

Moro decidiu sentenciá-lo a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele concluiu que Lula "tinha um papel relevante no esquema criminoso que vitimou a Petrobras e que envolvia ajustes fraudulentos de licitação e o pagamento de vantagem indevida a agentes da empresa, a agentes políticos e a partidos políticos".

O petista recorre em liberdade da decisão no TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª região, a segunda instância da Lava Jato.

Lula e Moro ainda terão um novo encontro previsto para o primeiro semestre do ano que vem. Em agosto, o juiz tornou o ex-presidente réu pela terceira vez na Lava Jato, agora em um processo sobre um esquema de corrupção envolvendo um sítio em Atibaia (SP), que seria uma vantagem indevida paga a Lula.

A defesa do petista nega as acusações em todos os processos e diz que há uma perseguição política contra Lula.

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Nathan Lopes e Flávio Costa
UOL
Editado por Política na Rede
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