sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Deputado petista usou dinheiro desviado para fraudar as eleições internas do próprio PT


Imagem: Ed Ferreira / Estadão
Em 2012, quando Lula e Dilma Rousseff decidiram usar uma CPI do Congresso para tentar conturbar o julgamento do escândalo do mensalão, o deputado Odair Cunha (PT-­MG) foi escalado para fazer um serviço sujo. Nomeado relator da CPI do Cachoeira, o parlamentar do baixo clero da Câmara, mas com ambições de ascender no organograma de poder, valeu-se da comissão para uma grotesca tentativa de intimidação do então procurador-­geral da República, Roberto Gurgel, que havia pedido a condenação dos mensaleiros. A empreitada fracassou porque a CPI acabou tropeçando em crimes praticados pelos próprios petistas e aliados. Ao investigarem as relações do contraventor Carlinhos Cachoeira, os políticos, por acidente, cruzaram com os negócios da empreiteira Delta e as operações milionárias do doleiro Adir Assad. Como a Lava-Jato revelaria mais tarde, Adir e a Delta eram parceiros do PT no esquema de corrupção na Petrobras. Ante o tremendo tiro no pé, a CPI foi encerrada com um pífio relatório de uma página e meia.


Homem de confiança da então presidente Dilma, Odair Cunha foi devidamente recompensado pelos serviços prestados. Nos meses subsequentes ao fim da comissão, o petista deu um salto na carreira. Deixou o chamado baixo clero da Câmara para eleger-se presidente do PT em Minas Gerais. Com o comando do partido, conseguiu um novo mandato em 2014 na esteira da campanha de Fernando Pimentel, governador mineiro. Agora, a mesma Procuradoria que Odair Cunha um dia tentou constranger revela uma novidade sobre o petista. Seguindo o trajeto de outros companheiros de partido, ele também foi capturado pela teia da Lava-Jato. O parlamentar, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Estado no governo de Minas, embolsou 150 000 reais desviados dos cofres da Confederação Nacional do Transporte (CNT), entidade mantida por recursos de contribuições sindicais. Mas não foi o único golpe. Ele ainda usou o dinheiro roubado para fraudar as eleições do próprio PT.

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Odair Cunha foi delatado por um colega de partido. O ex-vereador Alexandre Romano entregou documentos que ajudaram a Polícia Federal a comprovar a fraude. De acordo com Romano, o deputado valeu-se das relações que mantinha com o presidente da CNT, o também mineiro Clésio Andrade, para desviar os 150 000 reais da entidade. O trambique seguiu o método de sempre: Romano simulou a prestação de um serviço à confederação, emitiu notas fiscais frias e recebeu pagamentos em sua conta bancária — tudo aparentemente legal. Depois, sacou a bolada e a repassou a Cunha. O destino final do dinheiro, segundo o delator, foi a eleição do diretório estadual do PT. A Procuradoria pediu ao Supremo Tribunal Federal a condenação de Odair Cunha e dos demais envolvidos pelos crimes de apropriação indébita (até quatro anos de cadeia) e lavagem de dinheiro (até dez anos), além da restituição do valor desviado e da perda do mandato. O secretário nega as acusações.

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Robson Bonin
Veja
Editado por Política na Rede
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