sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Em acordo para não ser preso, Mantega admite ‘erros’ em contratos do BNDES com a Friboi


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Ex-ministro da Fazenda nos governos de Lula e Dilma Rousseff, Guido Mantega admitiu ter cometido "erros" relacionados a contratos do BNDES investigados pelo Ministério Público Federal (MPF) na Operação Bullish. A admissão foi feita em depoimentos já prestados à Procuradoria da República no Distrito Federal, dentro de um acordo firmado entre o ex-ministro e o MPF para não ser preso.



O acordo é um termo de ciência e compromisso, mantido em sigilo. Por ele, Mantega se comprometeu a entregar informações e provas e a prestar depoimentos que possam contribuir para as investigações. A Operação Bullish investiga fraudes em contratos de R$ 8,1 bilhões entre o BNDES e empresas do grupo J&F, proprietário da JBS. Este valor equivale a financiamentos do banco público para expansão do grupo empresarial.

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Mantega já prestou todos os depoimentos e não estão previstas novas oitivas, segundo fontes com conhecimento sobre o acordo feito. O termo de ciência não é uma delação premiada. O ex-ministro não confessa crimes nem receberá benefícios penais em caso de uma condenação.

O compromisso dele é com a abertura de dados bancários e fiscais, com a entrega de provas e fatos e com a colaboração com as investigações. Em troca, o MPF se comprometeu a não pedir na Justiça Federal a prisão provisória ou preventiva do ex-ministro.

Nos depoimentos, o ex-ministro admitiu "erros" e "fatos", mas não "culpa" por irregularidades e fraudes investigadas, conforme fontes com acesso às tratativas. Essas mesmas fontes lembram que termos de ciência e compromisso já foram assinados em outros inquéritos do MPF, como o relacionado à Operação Greenfield, inclusive com Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F.

Em sua delação premiada, Joesley acusou Mantega de operacionalizar repasses que teriam favorecido o PT, à medida em que o BNDES liberava os empréstimos ao grupo. Conforme essa delação, depósitos eram feitos em contas bancárias no exterior, em titularidade do próprio grupo, mas em benefício dos ex-presidentes Lula e Dilma. Essa história das contas bancárias não foi objeto do termo assinado por Mantega, segundo as fontes ouvidas pela reportagem.

Em maio, em petição ao juiz Sergio Moro, Mantega confessou ter recebido US$ 600 mil numa conta bancária na Suíça não declarada. O dinheiro, segundo alegação do ex-ministro, era proveniente de um imóvel herdado do pai.

Moro, em setembro de 2016, chegou a decretar a prisão temporária do ex-ministro numa das fases da Operação Lava-Jato. Ele revogou a prisão porque Mantega estava no hospital, acompanhando um tratamento de saúde da mulher.

Ao GLOBO, a defesa de Mantega afirmou que não comenta o caso por estar sob sigilo. A Procuradoria da República no DF, por meio da assessoria de imprensa, disse que também não comenta pelo mesmo motivo.


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Vinicius Sassine
O Globo
Editado por Política na Rede
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