terça-feira, 26 de setembro de 2017

Em debate, Haddad diz que só é mestre em economia porque 'colava' de economistas competentes


Imagem: Gabriel Cabral / Folhapress
Mestre em economia pela USP, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) disse que só atravessou os dois anos do curso porque colou dos colegas Alexandre Schwartsman, economista de linha liberal, ex-diretor do Banco Central e colunista da Folha, e Naércio Menezes, ferrenho defensor da avaliação de resultados de políticas públicas.



Os três são hoje professores do Insper, faculdade de economia e administração que acolheu debate promovido pela revista "piauí", no qual Haddad fez a afirmação.

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Schwartsman, Naércio e Haddad negam qualquer tipo de cola ou plágio e atribuem a declaração a uma piada do ex-prefeito de São Paulo.

"Foi uma bobagem do Fernando, ele estava brincando. Também não é verdade que ele não sabe nada de economia", disse Schwartsman. "Não votei nele e não pretendo votar, mas cola não rolou."

Os três ingressaram no mestrado no fim dos anos 1980 e defenderam suas dissertações em 1990. Schwartsman estudou economia brasileira. Naércio, a formação de preços nos oligopólios. Haddad dedicou-se à estrutura econômica do regime soviético.

Graduado em direito, também pela USP, Haddad disse que ingressou no mestrado de economia com apenas dois meses de dedicação para a temida prova da Anpec (Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia).

"Apesar de eu dar uns pitacos na economia de vez em quando, eu estudei dois meses de economia para passar no exame da Anpec. Depois não estudei mais. Porque eu colava um pouco do Alexandre Schwartsman e do Naércio Menezes para passar", afirmou, durante o debate.

"Sou curioso, gosto de economia, leio, sem compromisso profissional, mas aprecio muito", disse Haddad na noite de 12 de setembro, quando debateu economia, patrimonialismo, empréstimos do BNDES a grandes empresas, privatizações e outros temas de política econômica com Marcos Lisboa, presidente do Insper e colunista da Folha.

A piada não caiu bem nas redes sociais. Alguns economistas consideraram "infeliz" a declaração do ex-prefeito e ex-ministro da Educação nos governos Lula e Dilma.

Procurado pela reportagem, Haddad sugeriu que a Folha de S. Paulo não tem bom humor. "Você acha que eu falaria uma coisa dessas na frente de 1.000 pessoas?", questionou. "Se a Folha quer tratar como uma piada de mau gosto tudo bem, mas não há como não tratar como uma piada."

A escolha do nome de Schwartsman tampouco foi aleatória, acrescentou Haddad. Um dos nomes cotados para representar a esquerda na eleição de 2018, o ex-prefeito pretendia marcar a distância entre ele e o liberalismo encarnado pelo ex-colega.

"Fiz uma brincadeira com o Alexandre pelo fato de termos sido da mesma turma e termos tomado caminhos diferentes", disse. Lisboa e Naércio não comentaram o episódio. 

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Mariana Carneiro
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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