quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Lula chama de 'excrescência' a sétima denúncia aceita contra ele


Imagem: Jorge Araujo / Folhapress
O ex-presidente Lula (PT) chamou de "excrescência" a denúncia contra ele na Operação Zelotes, aceita pela Justiça nesta semana. É a sétima vez que Lula se torna réu em processos penais.


Você sempre quis saber como o Brasil, de um dos países mais prósperos e desenvolvidos do mundo, perdeu totalmente o rumo?

"Essa da medida provisória é a excrescência da excrescência da excrescência", afirmou o petista durante evento do partido nesta quinta-feira (21), ao criticar o que chamou de "processo de criminalização do PT".

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Na ação, Lula é acusado pelo crime de corrupção passiva por supostamente aceitar promessa para receber recursos ilegais em 2009, quando ainda ocupava a Presidência.

O ex-ministro Gilberto Carvalho, que também estava no encontro desta quinta, e o ex-presidente respondem ao processo por terem aceito, segundo o Ministério Público Federal, promessa de vantagem indevida de R$ 6 milhões para favorecer duas montadoras na edição de uma medida provisória.

"Dizer que o coitadinho do Gilberto pegou [R$] 6 milhões. Gilbertinho, você não me contou o que você fez", disse ele, em tom de piada, querendo rebater a denúncia e dirigindo-se a Carvalho, que acompanhava a fala no auditório de um hotel na região central de São Paulo.

Lula disse que, após um depoimento, falou a um diretor da Polícia Federal que falta formação política aos delegados da instituição.

"Eles são verdadeiros analfabetos políticos. Não conhecem nada do que se trata de político. Eu falei: precisa cuidar disso. [...] Não é só fazer um concurso, virar o julgador do mundo. É preciso ter experiência de vida, prestar contas com a realidade."

Também no discurso, disse que membros do Ministério Público deveriam fiscalizar, por exemplo, o cumprimento da lei que estabelece percentual de 30% de fornecedores locais na compra de merenda escolar.

"O PT poderia entrar com um pedido ao Ministério Público, [que] ao invés de ficar ganhando as ricas diárias lá em Curitiba, que eles [procuradores] possam visitar as cidades brasileiras para saber se os prefeitos estão cumprindo a lei", sugeriu, sob aplausos.

Lula disse ainda estar "convencido de que finalmente o PT acordou para o processo de criminalização que estão tentando fazer" contra o partido e cobrou uma reação da sigla.

"Aquela história de criar um PowerPoint dizendo que o PT foi criado para ser uma organização criminosa e que essa organização queria ganhar o governo para roubar o Brasil, esse PowerPoint é a maior desfaçatez mentirosa que alguém poderia fazer contra o partido mais importante que a esquerda criou na América Latina", afirmou o ex-presidente.

BANDEIRAS

Pesquisa de intenção de voto para presidente divulgada nesta semana pela CNT/MDA mostra Lula na primeira colocação.

Pré-candidato, ele pode não conseguir disputar a eleição caso a condenação do juiz Sergio Moro no caso do tríplex de Guarujá seja confirmada pela segunda instância da Justiça.

Em aceno à militância, o petista falou no evento de respeito à população LGBT, defesa da liberdade religiosa e descriminalização das drogas.

Lula criticou a decisão da Justiça Federal do Distrito Federal que permite que psicólogos possam tratar gays e lésbicas como doentes.

Ao descrever o PT como um partido que recebe bem a diversidade, disse que "não podemos aceitar" a iniciativa. "A pessoa é o que ela quer ser. E não vai ser resolvido, pelo menos nessa situação, com psicólogo." Para ele, o pedido para fazer terapias de "reversão sexual" significa busca de "uma fonte para ganhar dinheiro".

Sobre a política de drogas no Brasil, o ex-presidente questionou: "Vai continuar tratando como se fosse um caso de polícia?".

"A gente vai ver jovens, meninos, negros, e meninas da periferia, porque é encontrado com um baseado, é preso e fica dois anos sem ter alguém para ir lá liberar essa criança?", disse.

As afirmações sobre a necessidade de o partido debater o tema foram entendidas por lideranças do PT no local como defesa da descriminalização.

"Tem que ter uma outra abordagem. Há uma política de encarceramento em massa que é uma loucura", afirmou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Para a presidente nacional da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), "essa é uma discussão que tem que se fazer com a sociedade".

Ao falar sobre a tolerância religiosa, o ex-presidente da República disse que não deve existir "supremacia" de uma crença sobre outra.

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'ESCOLINHA DE BASE'

Na sequência das afirmações sobre os três temas, Lula disse que o partido tem que "assumir essas coisas, porque o século 21 é o século em que a gente tem que ter coragem de inovar".

"As coisas velhas têm que ser colocadas no arquivo morto. Daqui a pouco eu mesmo estou no arquivo morto."

"Nós temos que mexer, fazer quase que escolinha de base. O PT tem que fazer escolinha de base. O PT está carecendo, está precisando produzir não apenas novos programas, mas novos dirigentes, gente com a cabeça no século 21, pensando para a frente. Gente mais esperta do que eu", disse o pré-candidato.

O discurso de Lula foi feito durante o lançamento de uma plataforma da legenda e da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, que irá promover debates para a elaboração de um programa de governo nacional.

A iniciativa, denominada Brasil Que o Povo Quer, vai se estender até o ano que vem.

Ainda no evento, o ex-presidente fez uma defesa do consumo como pilar econômico. "Vejo as pessoas falarem em consumo como se fosse uma coisa nefasta, uma doença. Eu não consigo ver produção sem consumo. Ele é a base do desenvolvimento produtivo de qualquer lugar do mundo."

Comentando investimentos da era petista em educação, como a criação de universidades federais, Lula disse que "a elite brasileira, uma parte da elite brasileira, porque nunca vou generalizar, mas a elite brasileira que governou este país foi tão canalha que ela nunca se preocupou com a educação, porque [para ela] pobre não precisava estudar".


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Catia Seabra e Joelmir Tavares
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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