terça-feira, 26 de setembro de 2017

Odebrecht entrega recibos de doação de R$ 4 milhões ao Instituto Lula e confirma confissão de Palocci


Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O empresário Marcelo Odebrecht entregou à Polícia Federal documentos para comprovar que doações oficiais de R$ 4 milhões ao Instituto Lula saíram do Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas da empreiteira. Marcelo apresentou e-mails enviados, em novembro de 2013, para executivos do setor. Nas mensagens, ele informa que os repasses seriam feitos por via legal, mas debitados de um total de R$ 15 milhões da planilha “Italiano” – apontada pela empreiteira como a “conta corrente” gerenciada pelo ex-ministro Antonio Palocci.


Os recursos seriam destinados ao codinome “Amigo”, que a Odebrecht admite ser uma referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva. Além dos e-mails, o empresário apresentou notas fiscais em dois novos depoimentos prestados à PF em 8 e 21 de agosto, no inquérito que investiga suspeita de propinas pagas ao Instituto Lula e por meio de palestras do petista (via Lils Palestras e Eventos).

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O material foi anexado à investigação na quinta-feira passada. Segundo o empresário – que cumpre prisão em Curitiba –, os e-mails só foram entregues agora porque não haviam sido localizados quando ele fechou seu acordo de delação.




No mesmo depoimento, Marcelo apresentou cópia de recibos de quatro parcelas da doação ao Instituto Lula, cada uma no valor de R$ 1 milhão. “As cópias desses recibos foram extraídas do computador de Fernando Migliaccio (ex-executivo da construtora), com os impressos dos e-mails, o que corrobora que os valores foram efetivamente descontados da planilha Italiano, senão não haveria razão para estar de posse dele”, relatou o empresário.

O novo depoimento de Marcelo corrobora as declarações de Palocci, condenado a 12 anos e 2 meses de prisão pelo juiz federal Sérgio Moro na Lava Jato. O ex-ministro confessou a Moro ser o “Italiano”. Segundo Palocci, que tenta fechar acordo de delação com a força-tarefa em Curitiba, Emílio Odebrecht, pai de Marcelo, e o ex-presidente selaram um “pacto de sangue” de repasse de R$ 300 milhões ao PT, durante os governos Lula e Dilma Rousseff.

Mensagem cifrada. Em e-mail enviado em 26 de novembro de 2013 por Marcelo aos então executivos da Odebrecht Alexandrino Alencar e Hilberto Silva – chefe do Setor de Operações Estruturadas –, os três falam de forma cifrada sobre o pagamento, que seria feito oficialmente, mas com recursos debitados da planilha de propinas.

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“Italiano disse que o Japonês vai lhe procurar para um apoio formal ao inst de 4m (não sabe se todo este ano, ou 2 este ano e 2 do outro). Vai sair de um saldo que o amigo de meu pai ainda tem comigo de 14 (coordenar com HS no que tange ao Credito) mas com MP no que tange ao discurso pois será formal”, escreveu Marcelo.

No depoimento à PF em 21 de agosto, o empresário indicou as siglas do e-mail. Segundo Marcelo, “Japonês” correspondia a Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula. A palavra “inst”, disse, significava Instituto Lula e “4m” era uma referência ao valor de R$ 4 milhões. Marcelo também afirmou que “HS” são as iniciais de Hilberto Silva, ex-executivo da empreiteira.

Interrogado em 8 de agosto, Marcelo afirmou que os pagamentos a Lula acertados com seu pai não se limitaram aos registrados no codinome “Amigo” do total de R$ 15 milhões da planilha de propinas “Italiano”.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO CRISTIANO ZANIN MARTINS, QUE DEFENDE LULA

“A tentativa de criminalizar o recebimento de doações legais para o Instituto Lula, retratadas em recibos, parece ser a nova onda da perseguição da Lava Jato contra o ex-Presidente Lula. Lula não recebeu qualquer doação ilegal da Odebrecht ou de qualquer outra empresa. As doações questionadas não tiveram Lula como beneficiário, mas sim entidade sem fins lucrativos que não se confunde com o ex-Presidente”.

Cristiano Zanin Martins

COM A PALAVRA, O ADVOGADO FERNANDO FERNANDES, QUE DEFENDE PAULO OKAMOTTO

“Sobre pedido de esclarecimento quanto a supostos emails que Marcelo Odebrecht teria entregue a Polícia Federal vinculado doação de 4 milhões ao Instituto Lula em nome de “Italiano” em sua planilha, o advogado de Paulo Okamotto, Fernando Augusto Fernandes, informa que a defesa não teve acesso. No entanto não há qualquer relação de doações ao Instituto com qualquer propina. As ‘delações’ vão sendo moldadas às necessidades acusatórias e as formas com que vão construindo as mentiras processuais. Fosse diferente o fato já constaria de delações passadas. Paulo Okamotto já foi absolvido na única ação que respondeu.”

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Julia Affonso, Ricardo Brandt e Luiz Vassallo
O Estado de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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