sábado, 16 de setembro de 2017

Raquel Dodge começa a desmontar a força-tarefa da Lava Jato antes mesmo de tomar posse


Imagem: Amanda Perobelli / Estadão
O editor-chefe da revista Época, Diego Escosteguy, informa que nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que tomará posse na segunda-feira, já preparou portarias excluindo da força-tarefa da Lava Jato ao menos dois procuradores que tinham manifestado disposição para permanecer. 


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Leia abaixo o relato de Diego Escosteguy: 

Atenção: a nova PGR, Raquel Dodge, acaba de quebrar o compromisso público de manter integrantes do grupo de trabalho da Lava Jato.
Dodge, como se sabe, havia se comprometido a manter os procuradores que se dispusessem a permanecer na PGR após a saída de Janot.
Em portarias que serão publicadas, a que ÉPOCA teve acesso, ela exclui da Lava Jato os procuradores Rodrigo Telles e Fernando de Alencar.
São dois dos principais investigadores da Lava Jato. Haviam manifestado intenção de ficar, tanto formalmente quanto em contatos informais.
Tanto Telles quanto Alencar haviam recebido a confirmação, do grupo de Raquel, de que prosseguiriam nas investigações da Lava Jato na PGR.
Os dois foram surpreendidos com a informação oficiosa, neste sábado, de que estão fora da Lava Jato.
O procurador José Alfredo de Paula, novo coordenador da Lava Jato na PGR, confirmou a eles agora que ambos estão excluídos das investigações.
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A exclusão de Telles é especialmente significativa. Explica-se.
Teles, além de participar de todos os casos da Lava Jato na PGR, destacou-se por liderar as investigações contra o senador José Agripino.
Agripino é presidente do DEM, aliado do presidente Michel Temer. Apoiou Dodge na sabatina no Senado.
No ano passado, Telles comandou a investigação que resultou numa denúncia por corrupção passiva contra Agripino.
Agripino foi acusado de pedir propina de R$ 1 milhão a um empresário que detinha contratos com o governo do Rio Grande do Norte.
Entre as provas, há áudios que implicam fortemente Agripino, na avaliação dos investigadores.
O caso permanece em sigilo, por decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que o relata no Supremo.
Incomodado com a atuação de Telles, Agripino pediu a cabeça dele a Janot no começo do ano, segundo este comentou com três interlocutores.
Janot disse ter recusado de pronto o pedido de Agripino, segundo três fontes ouvidas por ÉPOCA.
Recentemente, já escolhida por Temer como substituta de Janot, Dodge anunciou como seu vice o procurador Luciano Maia, primo de Agripino.
Mesmo com a escolha do primo de Agripino e a alegada pressão do senador junto à PGR, Telles foi informado de que permaneceria na PGR.
Telles manteve contatos frequentes com três procuradores da turma de Raquel.
Na quarta-feira da semana passada, mais uma flechada contra Agripino: ele foi denunciado pela PGR ao Supremo, acusado novamente de corrupção.
Desta vez, Agripino foi acusado de receber propina da OAS.
Em ambas as denúncias, Agripino é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em ambas, a participação de Telles foi decisiva.
Até ontem, sexta-feira, Telles e Fernando Antonio de Alencar acreditavam que continuariam na Lava Jato.
Souberam que estavam fora em razão do vazamento das portarias com a exclusão deles.
Após o vazamento, José Alfredo, o novo coordenador da Lava Jato, informou a Telles que "havia resistência" ao nome dele, sem dar detalhes.


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