segunda-feira, 16 de outubro de 2017

‘Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro’, diz Pedro Corrêa


Imagem: Ailton de Freitas / Ag. O Globo
Em 26 de abril de 2016, o ex-deputado Pedro Corrêa prestava um dos vários depoimentos de sua delação premiada. Em pouco mais de dez minutos, falou o que sabia do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Disse, por exemplo, que Cunha fez um acerto para que o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró pagasse propina de US$ 700 mil por mês ao PMDB. Como Cerveró não conseguiu cumprir a promessa, Cunha emplacou outra pessoa para o cargo. 


Mas foi já no final do depoimento, enquanto a câmera ainda gravava, que Corrêa soltou uma declaração, quase que de admiração, reconhecendo a capacidade de Eduardo Cunha arrecadar recursos, mesmo que de forma ilícita:

— O Cunha era uma máquina de arrecadar dinheiro. Um monstro. Impressionava todo mundo. Arrecadava dinheiro de todo o jeito. Tinha uma coragem imensa de fazer as coisas.

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O depoimento faz parte da delação homologada em agosto de 2017 pelo ministro Edson Fachin, relator dos processos da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). Corrêa também relatou o começo da atividade de Cunha como deputado federal, em 2003, quando ele chegou a Brasília para, pela primeira vez, exercer o cargo.

Na época ele era filiado ao PPB, hoje PP, partido que Corrêa presidia na época. Segundo o delator, Cunha e outro deputado da legenda, Júlio Lopes, também do Rio de Janeiro, o procuraram para pedir ajuda. Eles disseram que tinham gasto R$ 5 milhões cada um em suas campanhas e precisavam recuperar o que foi gasto na disputa.

— Na oportunidade, eu disse aos dois: “Olha, se vocês que acabaram de chegar a Brasília forem com tanta sede ao pote, vão acabar cassados, porque, cuidado, o cargo de deputado federal é muito visado. O partido evidentemente vai ajudar vocês durante a legislatura, mas nunca com um montante tão alto” — disse Corrêa.

LOPES: 'INFUNDADO E LEVIANO'

O delator conta que Cunha deixou o PP ainda em 2003 e foi para o PMDB. No novo partido, diz Corrêa, ele conseguiu parte da propina de US$ 6 milhões repassada ao PMDB em 2006 pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. No caso de Lopes, Corrêa disse que o PP conseguiu emplacá-lo como secretário de Transportes do estado do Rio de Janeiro, e criticou:

— Esse cara tem que ser investigado. Esse cara fez miséria na secretaria no Rio.

O GLOBO não conseguiu entrar em contato com a defesa de Cunha para que pudesse se manifestar sobre as declarações de Corrêa. Em nota, Júlio Lopes disse que o delator faz “infundadas e levianas ilações” e afirmou que “sempre pautou sua atuação seja no parlamento, no executivo e na iniciativa privada pela ética, responsabilidade e cumprimento da legislação”.

Parte dos vídeos da delação de Corrêa e outros colaboradores foram enviados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde está o processo em que o presidente Michel Temer foi denunciado por organização criminosa e obstrução de justiça. Isso porque, em razão do cargo que ocupa, a denúncia do Ministério Público só pode ter prosseguimento se a Câmara der seu aval. No mesmo inquérito, foram denunciados outros políticos do PMDB, como o próprio Cunha, entre outros.

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André de Souza
O Globo
Editado por Política na Rede
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