quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Delegado aponta graves indícios de corrupção e favorecimento da JBS no BNDES


Imagem: Geraldo Magela / Agência Senado
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as operações financeiras envolvendo a JBS ouviu, nesta terça-feira (3), o ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, sobre os aportes e financiamentos concedidos pelo banco à empresa. Na audiência pública, o sub-relator do colegiado na parte de contratos, deputado Delegado Francischini (Solidariedade-PR), fez questionamentos a Coutinho com base em relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU).


Para formular as perguntas ao convocado, Francischini lançou mão de dois acórdãos do TCU e de informações da Operação Bullish, da Polícia Federal, que investigou possíveis fraudes e irregularidades em financiamentos concedidos pelo BNDES. O parlamentar elencou diversos indícios apontados nos relatórios de que a JBS teve tratamento privilegiado por parte do banco ao receber os empréstimos em tempo recorde. “Será que qualquer empresário brasileiro que procurasse o BNDES conseguiria um financiamento na mesma velocidade?”, questionou o deputado.

Leia também: 

Francischini também destacou apontamentos da Polícia Federal sobre um possível pagamento de propina da JBS ao ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci. “Segundo a PF, houve R$ 1,2 bilhão de prejuízo ao banco e a maioria desses empréstimos saíram após a consultoria dada por ele”, comentou o deputado.

O parlamentar do Solidariedade reforçou que o fato de o BNDES ter se tornado sócio do grupo empresarial de Joesley Batista não trouxe qualquer benefício para o país. “O Brasil teve um prejuízo bilionário e sem contrapartidas econômicas e sociais, vantajosos apenas para a empresa e os Estados Unidos”, criticou.

Ao responder, Luciano Coutinho negou que tenha havido privilégios às empresas e que as tratativas eram longas antes de serem concedidos os empréstimos. Francischini não se contentou com os argumentos do ex-presidente do BNDES. “Ele deu respostas evasivas e não conseguiu justificar as operações sobre as quais ele mesmo é investigado na Operação Bullish”, concluiu.

Novos Pedidos

Ainda nesta terça-feira, o deputado apresentou à CPMI um requerimento para que sejam convocados os diretores das empresas de consultoria KPMG e BDO RCS Auditores Independentes. Na audiência, eles poderão dar esclarecimentos sobre as auditorias feitas na JBS, que são alvo de processos administrativos para fiscalização externa abertos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A CPMI já havia aprovado outros requerimentos de Francischini. Em um deles, o deputado solicitou que fossem enviados “ao Federal Bureau of Investigation (FBI) e ao Federal Reserve System (FED) pedidos de colaboração para investigar as aquisições do Grupo J&F S/A realizadas nos Estados Unidos da América”. Outro requerimento propôs que sejam ouvidos os delegados que participaram de operações envolvendo a JBS e J&F, como Buliish, Greenfeld, Sepsis, Cui Bono, Carne Fraca e Tendão de Aquiles. O deputado requereu ainda que seja solicitada ao COAF cópia integral dos processos que envolvam a JBS e a J&F.

Veja também:







Site do Delegado Francischini
Editado por Política na Rede
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...