domingo, 1 de outubro de 2017

Lula vai percorrer antigo 'cinturão vermelho' de SP para tentar recuperar votos perdidos


Imagem: Nelson Almeida / AFP
Em meio à organização de caravanas para Minas Gerais e para as regiões Sul, Norte e Centro-Oeste do país, o ex-presidente Lula vai percorrer a região do "cinturão vermelho" paulista. O objetivo, segundo fontes do partido, é uma tentativa de conter o êxodo de filiados e o assédio de outros partidos, e restabelecer a ligação com o eleitor.



A investida ocorre após o PT amargar derrotas e perder seis das sete prefeituras que comandava na região --formada por municípios do entorno de São Paulo-- até o ano passado. Em todo o Estado de São Paulo, o partido deixou o comando de 64 prefeituras nas eleições de 2016.

"É preciso fazer uma visita rápida [periferia e Grande SP] porque é um público que já foi muito petista e já esteve muito próximo de nós. Antes de entrar para o interior, quero dar uma conversada com o nosso povo da periferia de São Paulo", afirmou Lula em entrevista à rádio Trianon na terça (26).

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O ex-presidente vai visitar Diadema, Guarulhos, Mauá, Ribeirão Pires, Santo André, São Caetano do Sul e Osasco. Lula afirmou que fará a visita ao cinturão vermelho na companhia do presidente estadual do partido, Luiz Marinho, e de deputados estaduais e federais, e vereadores. 

A primeira visita deve acontecer na segunda quinzena de outubro, em Guarulhos. A caravana para Minas Gerais deve começar em 23 de outubro. O ex-presidente disse que também pretende visitar Campinas. O município tem forte atuação sindical em razão da presença de empresas metalúrgicas.

De acordo com o ex-presidente, as caravanas são "o jeito mais eficaz para um contato direto com a sociedade", com direito a pegar na mão, ver, tocar o rosto e abraçar as pessoas. "Sempre achei que a política é uma relação química entre os seres humanos", disse.

Da lista dos nove maiores partidos brasileiros, o PT foi o que mais perdeu eleitores filiados no Estado de São Paulo. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), foram 7.411 a menos entre agosto de 2014 e o período atual –caiu de 389.294 para 381.883 filiados.



"Cinturão vermelho"

A derrocada do PT no cinturão vermelho foi concretizada no ano passado com as derrotas de Carlos Grana e Donisete Braga no segundo turno para Paulinho Serra (PSDB) e Atila Jacomussi (PSB), respectivamente prefeitos de Santo André e Mauá.

Antes das eleições municipais, o PT administrava sete cidades do cinturão vermelho. Após as denúncias que atingiram Lula e o partido, só restou uma: Franco da Rocha, tradicional reduto do PT, reelegeu Kiko Celeguim com 73,41% dos votos válidos.

Em Guarulhos, o PT perdeu após 16 anos de governos seguidos. Em Santo André, a derrota veio depois de 12 anos de governos petistas, assim como em Osasco. Em São Bernardo do Campo, o candidato petista ficou em terceiro lugar nas eleições do ano passado.

Na capital paulista, o PT teve uma de suas derrotas mais simbólicas: na maior cidade do país, o ex-prefeito Fernando Haddad viu o adversário tucano, João Doria, levar a disputa ainda no primeiro turno, vencendo na maioria das regiões.

Com a derrota no cinturão vermelho, o maior município governado pelo PT em São Paulo passou a ser Araraquara. Com cerca de 230 mil moradores e 164 mil eleitores, a cidade do interior paulista tem como prefeito Edinho Silva, ex-ministro do governo Dilma Rousseff.
PT promove filiação em "três cliques"

Para contornar a queda no número de filiados, o PT iniciou na semana passada uma campanha nacional de filiação. Ela vai acontecer principalmente pelas redes sociais, uma vez que o objetivo do partido é atrair os jovens e, em segundo lugar, mulheres.

O site do partido foi reformulado para que a filiação possa ocorrer em "três cliques", diz a nota da direção do partido. Um link foi inserido logo na página principal. Ao lado, há outros dois links: um do número de filiados e outro para promover doações ao partido.

"O 6º Congresso do PT decidiu fazer uma campanha de filiação com o objetivo de enfrentar a ofensiva conservadora e fortalecer o nosso partido", afirmou a secretária de Organização do PT, Gleide Andrade, em nota.

No lançamento da campanha, Lula afirmou que o PT "precisa convencer as pessoas que não existe saída fora da política". "Fora da política teremos nazismo, fascismo, qualquer coisa. Menos democracia. Por isso é importante as pessoas participarem do PT", afirmou.

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Venceslau Borlina Filho
UOL
Editado por Política na Rede
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