segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Bruno Araújo pede demissão e diz que não tem mais apoio do PSDB


Imagem: Demétrius Ferreira / Fotoarena
O ministro do PSDB Bruno Araújo (PE) pediu exoneração do Ministério das Cidades ao presidente da República, Michel Temer (PMDB), nesta segunda-feira (13). A entrega da carta de demissão aconteceu momentos após solenidade da pasta para a entrega das primeiras unidades do cartão-reforma no Palácio do Planalto.



Em carta de demissão, Araújo disse ter a convicção de que "a serenidade da história vai reconhecer" no governo Temer "resultados profundamente positivos para a sociedade brasileira". No início da mensagem, ele cita que aceitou o cargo após decisão do PSDB e, mais adiante, agradece a "confiança" do partido. "Já não há mais nele apoio no tamanho que permita seguir nessa tarefa", justifica.

Leia também: 

Também na carta, o agora ex-ministro cita o que classificou como "avanços na governança", apontando que o programa "Minha Casa, Minha Vida" e a credibilidade nos compromissos financeiros foram recuperados. Ele também menciona o que chamou de "marcas relevantes no desenvolvimento social do país": o Cartão Reforma e a Nova Legislação Fundiária.







Lançado oficialmente em 9 de novembro do ano passado, o Cartão Reforma beneficiou somente 150 famílias em todo o Brasil até o momento --um ano depois. A meta é que 182 mil famílias sejam atendidas até o fim de 2018, quando termina o governo Temer.

O programa é voltado para famílias de renda mensal de até R$ 2.811 para que reformem suas residências. Em média, os beneficiários terão crédito de R$ 5.000 para adquirir materiais de construção, mas os recursos podem chegar a R$ 9.646,07.

Araújo diz, no entanto, que "há ainda muito o que fazer". "É hora das prioridades serem mais da sociedade e menos das corporações. É fundamental coragem de todos para os enfrentamentos que protejam as necessidades dos que não conseguem faltar ao trabalho para vir a Brasília clamar por melhores serviços públicos", escreveu.

O deputado federal, que estava licenciado desde que assumiu a pasta, em maio do ano passado, encerrou a carta agradecendo a Temer e desejando "que Deus abençoe essa amada Nação". "Do pernambucano, Bruno Araújo", concluiu. Ele permaneceu um ano e meio no governo.

Demissão após solenidade no Planalto

Em solenidade no Palácio do Planalto nesta segunda justamente sobre o Cartão Reforma, o ministro agiu normalmente e começou o discurso agradecendo diversas pessoas da pasta para que a entrega do cartão-reforma fosse realizada. Ele ressaltou a iniciativa lançada em novembro do ano passado – que beneficiou somente 150 pessoas até o momento – e disse que o déficit de precariedade habitacional havia sido "deixado de lado pelo Estado brasileiro".

Em discurso, ele também elogiou o apoio dado às ações do Ministério das Cidades por outras pastas do governo Michel Temer. Em um momento, como que se despedindo em um ato involuntário, Araújo chega a começar a dizer "deixamos", mas logo se corrige para "vamos". "Não tenho a menor dúvida de que nós deixamos, nós vamos, que o governo de Vossa Excelência, deixa plantado na regularização fundiária e no cartão-reforma importantes pontos no desenvolvimento social do país", concluiu a fala.

Quando o conteúdo da delação premiada de executivos do grupo J&F ao Ministério Público Federal foi revelado em maio deste ano, Araújo chegou a apresentar uma carta de exoneração a Temer, mas foi convencido a permanecer no cargo. Em 2016, o voto de número 342 a favor do prosseguimento do impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff (PT) foi dele.

O Ministério das Cidades é uma das pastas mais cobiçadas por ter um dos maiores orçamentos da Esplanada – cerca de R$ 20 bilhões –, grande quantidade de emendas e alto poder de impacto social perante a população. A corrida pela pasta aumenta também por 2018 ser um ano eleitoral e as ações promovidas por meio da pasta podem ajudar a eleger um candidato.

Desembarque do PSDB

A saída acontece em meio à pressão pela saída do PSDB do governo e de partidos do "centrão" por mais espaço na Esplanada. No final de semana, o presidente afastado do partido, senador Aécio Neves (MG), confirmou a saída do PSDB do governo. "Vamos sair do governo pela porta da frente, da mesma forma que entramos", disse o senador.

O chamado centrão abrange deputados federais de siglas como PP, PR, PSC, Pros, PTB, PSD, PRB, Avante, PSL e Solidariedade, e que ajudaram a arquivar na Câmara a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra o presidente e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Eliseu Padilha (Casa Civil).

Além das Cidades, o PSDB tem mais três ministérios: Direitos Humanos (Luislinda Valois), Relações Exteriores (Aloysio Nunes Ferreira) e Secretaria de Governo (Antonio Imbassahy).

Temer diz que governo tem "unidade"

Mais cedo, em evento no Rio de Janeiro, o presidente Temer declarou que há "unidade absoluta" no governo, apesar de toda a pressão pela reforma ministerial.

Em discurso durante evento no Rio de Janeiro, ao lado de seis ministros e das autoridades locais, Temer afirmou que "não há uma desintegração sequer" no ministério. Disse ainda que o lema do governo é o "diálogo" e que "o Brasil quer paz". "Diálogo é o termo que dirige o meu governo. Diálogo com o Congresso Nacional, diálogo com a sociedade, e que nos permitiu em primeiro lugar superar uma recessão extraordinária e chegarmos hoje com abertura de empregos, inflação baixa, juros menores", disse o peemedebista.

"Não há uma desintegração sequer no nosso ministério. Há uma unidade absoluta. E uma unidade, volto a dizer, da União com os Estados brasileiros. Precisamente pelo diálogo muito perto que nós mantemos com a bancada federal", declarou, referindo-se aos deputados federais do Rio. "Há uma integração e cooperação absolutas na concepção de que o Brasil é uma unidade. E o Brasil quer paz", concluiu.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que Temer confirmou a ele que promoverá uma reforma ministerial ainda em 2017.

"Reforma é uma reforma administrativa. Só tem uma pessoa que pode fazer a reforma, que é o presidente da República. Ele me falou ontem [dia 12] que pretende fazer uma mudança administrativa, que depois conversaria comigo. Ainda não tinha prazo nem definição, mas que seria esse ano", declarou. 

Veja também:






Luciana Amaral e Gustavo Maia
UOL
Editado por Política na Rede
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...