quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Cristovam Buarque desiste de licença após denúncia de que suplente tinha sexo com menor em troca de lanches


Imagem: Alessandro Dantas / Divulgação
Cristovam Buarque (PPS-DF) não vai mais se licenciar do mandato de senador para fazer pré-campanha pelo país. O senador desistiu de deixar o cargo após o suplente, Wilmar Lacerda (PT), ser acusado de comprar sexo de uma adolescente de 17 anos com lanches. Na noite de segunda-feira (20/11), Cristovam admitiu ao jornal Metrópoles inquietude com a notícia e disse não poder ceder o posto para alguém que responde a denúncias tão graves.


O parlamentar revelou que pode até mesmo desistir da ideia de percorrer o Brasil para testar sua popularidade numa eventual candidatura à Presidência da República. “Continuando no Senado, obviamente que atrapalha um pouco, mas, enquanto as investigações em relação a ele [Wilmar] não forem concretizadas, não vou me licenciar.”

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A decisão de Cristovam ocorreu após o Metrópoles revelar, na quinta-feira (16), que o petista responde a um inquérito no qual é acusado de fomentar a prostituição de adolescentes. Wilmar Lacerda teria feito sexo com uma jovem de 17 anos e, em vez de dinheiro, pagava os programas com lanches.

O caso está registrado na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), que, após ouvir Lacerda, encaminhou o processo para o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Na segunda-feira (20), o pai da garota prestou depoimento no Núcleo de Atendimento à Família e aos Autores de Violência Doméstica (NAFAVD), na Promotoria de Planaltina. Ele não quis conversar com a reportagem, mas confirmou que não sabia do envolvimento da filha com Wilmar e outros homens que a exploravam sexualmente.

Mãe desmente petista

O Metrópoles também ouviu a mãe da adolescente, que desmentiu o político – Wilmar Lacerda alegou que o relacionamento com a jovem era público e consentido pelos pais da menina. A mulher contou só ter tomado conhecimento do envolvimento do petista com a filha após ler mensagens enviadas por ele no celular.

“Como ela [a filha] não tinha celular, usava o meu. Não sabia mexer no telefone, mas um dia me ensinaram, e comecei a ver que ele [Wilmar] a chamava pra sair e, pouco tempo depois, aparecia um carrão na porta”, afirmou. O aparelho telefônico acabou apreendido por agentes da unidade policial e ainda não foi devolvido à dona.

Desempregada, separada e mãe de seis filhos, a mulher acredita que a pobreza da família contribuiu para que a caçula aceitasse vender o corpo em troca de dinheiro e comida. “Depois que a apertei, ela confessou que saía com ele [Wilmar Lacerda] porque podia comer em restaurantes. Aqui em casa, às vezes, não tinha o básico para almoçar”.

Sexo no apartamento do político

De acordo com a adolescente, o primeiro encontro com Wilmar ocorreu em um bar da Quadra 5 da cidade. Em outro, os dois teriam almoçado no Torre de Pisa, no Shopping Conjunto Nacional. O restaurante é especializado em doces e salgados, mas também vende comida a quilo.

Após a refeição, o petista teria convidado a jovem para o apartamento dele, ocasião em que aconteceu a primeira relação sexual entre os dois. A menina teria sido aliciada por uma mulher de Planaltina conhecida como Rebeca. Apesar das promessas da cafetina de que seria bem remunerada, segundo relato da adolescente, Wilmar se recusava a lhe dar dinheiro.

“A declarante manteve relação sexual com Wilmar Lacerda por cinco vezes, o qual nunca pagou em espécie, pois dizia que não tinha dinheiro, mas sempre pagava um lanche”, consta em um dos trechos do boletim policial.

Sem camisinha

Após o primeiro encontro, Wilmar e a menina trocaram mensagens pelo WhatsApp e teriam saído outras quatro vezes. Ela conta que, apesar dos pedidos, o futuro senador se recusava a usar camisinha.

“Recorda que Wilmar não gostava de usar preservativo e dizia que não havia risco de a declarante engravidar, pois havia feito um procedimento de retirada de sêmen e guardado em uma clínica”, descreve a garota, em outra parte da ocorrência.

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Saulo Araújo
Metrópoles
Editado por Política na Rede
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