sábado, 11 de novembro de 2017

Novo diretor da PF fala em corrupção sistêmica e promete ampliar operações


Imagem: Ronaldo Caldas / MJSP
O novo diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, disse nesta sexta-feira, 10, que a corrupção é “sistêmica” no Brasil e que pretende ampliar as operações feitas pela corporação, incluindo a Lava Jato. Questionado sobre alterações na equipe da Lava Jato, Segóvia disse que o tema está sendo tratado na transição e as mudanças serão “naturais” e “paulatinas”.


“A corrupção neste país é sistêmica, mas existe a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e vários órgãos que a combatem. Pretendemos continuar cada vez mais fortes nesse combate”, afirmou Segóvia. E completou: “A Polícia Federal está tranquila. A gente pretende continuar o trabalho e as mudanças serão feitas paulatinamente. Com certeza, sempre tem gente que está cansada e quer sair e tem gente nova que quer começar um trabalho”.

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Indicado com o apoio do PMDB e aval do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, investigado na Lava Jato, Segóvia afirmou que sabe que terá de atuar politicamente. “Como diretor-geral tenho que trabalhar politicamente com vários órgãos, várias instituições, o que não quer dizer que a gente não combata os crimes. As instituições não cometem crimes, as pessoas cometem crimes. O que precisamos é melhorar as investigações, o foco das investigações.”

O novo diretor-geral assinou nesta sexta-feira seu termo de posse no Ministério da Justiça em solenidade que reuniu, além do ministro Torquato Jardim, o secretário nacional de Segurança Pública, general Carlos Alberto Santos Cruz, e o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Renato Dias. No evento, Torquato deu boas-vindas e apresentou seus auxiliares a Segóvia.

Ao tratar das operações da PF, o diretor disse que não será só uma ampliação, mas uma melhoria na Lava Jato. “Será em todas as operações que a Polícia Federal já vem empreendendo e ainda ampliar, quer dizer, criar novas operações.”

Segóvia foi indicado pelo presidente Michel Temer para assumir o comando da PF no lugar do delegado Leandro Daiello, no cargo desde janeiro de 2011.

Para ele, a relação da PF com o Ministério Público Federal tem de ser de parceria. “O que a gente precisa, na realidade, é melhorar, talvez, a investigação, melhorar os focos nas investigações e, aí, combater melhor esse tipo de crime, combatendo na realidade a essência da corrupção. Nisso a gente vai, vamos dizer assim, trabalhar em parceria com o Ministério Público Federal e outras organizações para tentar melhorar esse combate.”

PGR. Após a assinatura do termo de posse, Segóvia seguiu para a Procuradoria-Geral da República (PGR) para se encontrar com Raquel Dodge. O encontro não estava na agenda da PGR até o início da tarde, mas foi incluído assim que o novo diretor-geral solicitou a reunião sob o argumento de se apresentar e cumprimentar a procuradora-geral. A reunião durou cerca de duas horas.

Além de Raquel Dodge, participaram os procuradores Raquel Branquinho, Alexandre Camanho, Paulo Gonet e Alexandre Espinosa. O delegado foi um dos principais opositores do Ministério Público Federal à época da discussão sobre a PEC 37, que garantiu o poder de investigação ao Ministério Público. Com a visita, pretendeu demonstrar que as diferenças são parte do passado e o interesse em manter uma boa relação entre as instituições.

Mudanças. Segóvia já definiu os nomes dos seis diretores que formarão a cúpula da sua gestão. Além de Sandro Avelar (diretor executivo), Eugênio Ricas (Combate ao Crime Organizado) e Cláudio Ferreira Gomes (Inteligência Policial), o novo diretor deve nomear o delegado Alfredo Junqueira para a diretoria de Administração e Logística Policial. Com mais esse nome, apenas os possíveis titulares das diretorias Técnico-Científica e de Gestão de Pessoal ainda são mantidos em sigilo.

Depois de escolher sua equipe de diretores, Segóvia deve iniciar a análise sobre possíveis trocas nas 27 superintendências estaduais da corporação. Ainda não estão definidos quais Estados passarão por mudanças. Um superintendente que participou de uma videoconferência com Segóvia afirmou ao Estado que, em um primeiro momento, serão substituídos apenas aqueles que solicitarem o desligamento do cargo.

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Fabio Serapião
O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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