terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Deputados se articulam contra possibilidade de indiciamento de Janot na CPI da JBS-Friboi


Imagem: Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
A tentativa do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) de indiciar o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e seu ex-chefe de gabinete Eduardo Pelella no relatório final da CPI da JBS deve esbarrar na resistência de outros parlamentares contrários à manobra. Os deputados Fernando Francischini (SD-PR), Hugo Leal (PSB-RJ) e Izalci Lucas (PSDB-DF) deverão pedir vista do relatório logo na abertura da sessão da CPI amanhã para, depois, apresentar substitutivo ao parecer de Marun. No substituto serão eliminados eventuais indiciamentos de Janot e Pelella. Os deputados também tentarão excluir ataques à Operação Lava-Jato.


— Vamos tirar essa maluquice de indiciar procuradores da Lava-Jato. Não tem prova de nada contra Janot e Pelella. Vamos tirar também críticas à Lava-Jato. A ideia é fazer um relatório técnico — disse Francischini ao jornal O Globo.

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Marun insinuou que iria indiciar Janot e Pelella nesta segunda-feira, véspera da apresentação do relatório final. Desde o início da CPI, o deputado tem tentado inverter os papéis e transformar os investigadores da Lava-Jato, especialmente o ex-procurador geral e seu ex-chefe de gabinete, em investigados. Pelella foi um dos responsáveis pelo acordo de delação de executivos da J & F, controladora da JBS. A partir das investigações derivadas do acordo, Janot apresentou duas denúncias contra o presidente Michel Temer, uma por organização criminosa e obstrução de justiça, e outra por corrupção passiva.

Temer é acusado de escalar o ex-assessor Rocha Loures para negociar cargos e decisões estratégicas do governo com Joesley Batista, um dos donos da JBS, que está preso em São Paulo. Numa ação controlada, a Polícia Federal filmou Loures correndo pelas ruas de São Paulo com uma mala com R$ 500 mil. A mala tinha sido entregue a ele por Ricardo Saud, um dos operadores da propina da JBS. O dinheiro seria parte de uma propina que, ao longo de 20 anos, poderia passar de R$ 400 milhões, conforme cálculos da Polícia Federal.

O andamento das denúncias foi bloqueado pela base governista na Câmara. As investigações só poderão ser retomadas quando Temer deixar o cargo de presidente da República. Depois de reter as acusações contra Temer, alguns parlamentares aumentaram a pressão sobre Janot e Pelella, sobretudo na CPI da JBS. Ao longo das atividades da comissão, eles tentaram, sem sucesso, levar Janot e Pelella para depor diante das câmeras. Irritado com as manobras, o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) até renunciou à vaga dele na CPI.

— A CPI é uma farsa montada para desqualificar os procuradores da República e destruir a Lava-Jato e as demais investigações no país. Não encontro alternativa para atuar nessa CPI. É um espetáculo circense com um roteiro pronto. Não tenho mais condições — disse o senador ao deixar a CPI no início do mês passado.

Na entrevista que falou sobre o possível indiciamento de Janot e Pelella, Marun não esclareceu quais crimes os procuradores teriam cometidos. Ele disse que ainda estava "estudando" quais seriam os tipos penais a serem imputados aos procuradores. Para Francischini não há qualquer motivo para indiciar os dois procuradores.

— Não dá para politizar um assunto técnico como esse — disse o deputado.

Depois da votação do relatório, Marun deverá assumir o comando da Secretaria de Governo, o terceiro cargo mais importante na hierarquia do poder no Palácio do Planalto. A sessão da CPI está marcada para começar às 9 horas de amanhã.

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Jailton de Carvalho 
O Globo
Editado por Política na Rede 
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