segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Dodge deve questionar novo habeas corpus de Gilmar ao pai da afilhada


Imagem: Produção Ilustrativa / Política na Rede
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse, nesta segunda-feira (4), que deve questionar o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o novo habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes aos empresários Jacob Barata Filho e Lélis Teixeira, acusados de participação na máfia dos ônibus do Rio de Janeiro.


Raquel Dodge também afirmou que pretende devolver, em breve, o pedido de suspeição de Gilmar para atuar no processo de Barata Filho, feito pelo ex-PGR Rodrigo Janot.

Segundo a procuradora, que pediu vistas do processo em setembro, ela ainda está analisando o caso antes de se manifestar. Gilmar, que foi padrinho de casamento de uma filha de Barata Filho, já mandou soltar o empresário em três oportunidades.

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Combate à corrupção 

Nesta segunda, Raquel Dodge também afirmou que dará prioridade ao combate à corrupção e disse ver com naturalidade as desconfianças em relação ao seu mandato. Em solenidade em comemoração ao Dia Internacional de Combate à Corrupção, em Brasília, Raquel disse, ainda, que mudanças nas regras da prisão em segunda instância ou na titularidade dos acordos de delação premiada seriam "duros golpes" no futuro do país. Para a procuradora, mudar esses procedimentos é perigoso.

A titular da PGR enumerou iniciativas de seus primeiros dois meses e meio de gestão para justificar o caráter prioritário do combate à corrupção. Apesar disso, reconheceu a existência de dúvidas sobre seu trabalho.

"São indagações autênticas, verdadeiras e coerentes, algumas carregadas de desconfianças e dúvidas, que são em tudo compatíveis com a leitura crítica da história brasileira, marcada por ondas sucessivas de avanços e retrocessos, no enfrentamento da corrupção", disse Raquel. 

Ela fez menções diretas e indiretas ao mensalão e à Lava-Jato, que ela classificou como "marcos exitosos" da história brasileira.

Em uma provável menção à descoberta do "bunker" do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), Raquel Dodge afirmou que corruptos continuam agindo com desfaçatez e "escondendo quantias de modo petulante e displicente", confiantes na impunidade.

Segovia 

A procuradora-geral da República também comentou a defesa enfática do novo diretor da Polícia Federal, Fernando Segovia, pelo direito de a corporação também negociar delação. Raquel defende que o MP tenha exclusividade para firmar colaborações premiadas e que se possa prender condenados em 2ª instância. Ministros do Supremo Tribunal Federal já sinalizaram que podem rever a decisão sobre prisão em segunda instância. 

"Se a corrupção continuar em níveis tão elevados e perdermos os instrumentos jurídicos que realmente nos permitem enfrentá-la, como a execução da pena em segunda instância, a titularidade para celebrar acordo de colaboração premiada e a força do acordo de leniência, o Brasil sofrerá o duro golpe de perder um futuro promissor e ter de viver em um presente marcado pela desonestidade e pela desconfiança", disse Raquel.

A procuradora afirmou que seu compromisso com o combate à corrupção está amparado em convicções pessoais de que essas práticas são responsáveis pela desigualdade social e pela ineficiência na prestação de serviços públicos.


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Murillo Camarotto
Valor
Editado por Política na Rede
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