quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

'Está-se criando o caldo de cultura para, em alguns meses, dizer que a Lava Jato foi uma sucessão de erros', denuncia Janaína Paschoal


Imagem: Produção Ilustrativa / Gazeta Social
A jurista Janaína Paschoal aponta que há em curso movimentos preparatórios para anular toda a operação Lava Jato. Paschoal aponta para as publicações de juristas apontando "abusos" e "erros" nas operações, além de esforços para desacreditar aqueles que fazem o contraponto. Prepara-se, assim, segundo Janaína, o terreno para a anulação completa dos esforços contra a corrupção. 


Leia abaixo o texto de Janaína Paschoal: 

Vocês estão acompanhando as decisões que vêm sendo prolatadas neste final de ano. Não vou falar individualmente sobre nenhuma delas, mas gostaria de alertar para um ponto. Está-se criando o caldo de cultura para, em alguns meses, dizer que a Lavajato foi uma sucessão de erros.
Reparem, paralelamente às decisões infirmando as determinações nas instâncias inferiores, juristas, supostamente neutros, começam a escrever nos grandes jornais, chamando atenção para os "abusos" praticados nas operações. Os textos, em regra, evitam qualquer viés político.
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O que se busca construir no imaginário coletivo é o seguinte: os técnicos estão alertando para os erros e os Tribunais Superiores precisarão corrigir esses tais erros, na medida em que Delegados, Membros do MP e Juízes não atentaram para as limitações da lei.
Paralelamente às decisões e aos textos dos juristas que se dizem neutros, as pessoas que poderiam fazer um contraponto começam a ser desacreditadas. Reprovações, queixas-crime, notinhas com fofocas, etc.
Ontem, li que um instituto de pesquisa mediu a popularidade e a rejeição ao Juiz Moro. Pergunto: que sentindo tem fazer pesquisas desse tipo em relação a um magistrado? Ele já disse que não concorrerá a nenhum cargo público!
E o que constatou a pesquisa? Que o magistrado teve perda de aprovação e que sua rejeição subiu. Coincidentemente, um dos políticos por ele condenado confere longa entrevista na mesma data.
Se algum de vocês tiver paciência para resgatar as entrevistas, as matérias jornalísticas e os textos de juristas, que antecederam a anulação de grandes operações no passado recente, perceberão que o "modus operandi" foi exatamente o mesmo.
Cria-se o caldo de cultura, vai-se preparando psicologicamente o povo e, de repente, vem a bomba: "Em nome da Constituição Federal e do ordenamento jurídico vigente, temos que anular tudo!".
Eu não estou dizendo isso só agora, venho avisando há meses. Talvez por isso esteja sofrendo tantos ataques. No momento, não posso fazer nada além de avisar. Até a minha liberdade de fala estão querendo retirar. E a fala é tudo que eu tenho.
A situação é mais delicada do que aquela referente às grandes anulações anteriores, pois há mais pessoas implicadas e, por conseguinte, mais pessoas interessadas em transformar a Lavajato em um grande Castelo de Areia.
Para salvar Tício, faz-se necessário salvar Caio. O argumento usado para salvar Tício e Caio também serve para salvar Mévio e, no final, salva-se todo mundo! Decisões aparentemente desconectadas de um determinado caso concreto, mais adiante, serão pinçadas para aniquilá-lo.
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