sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

STF homologa delação de 'homem da mala' de Cabral; ele confirma a existência de organização criminosa


Imagem: Reprodução
Carlos Miranda, um dos operadores do ex-governador Sérgio Cabral, teve seu acordo de delação premiada com o Ministério Público (MP) homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi anunciada pela defesa do ex-aliado de Cabral durante audiência nesta quinta-feira com o juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal da Justiça Federal.



A audiência trata da denúncia da Operação Ratatouille, que investiga o pagamento de propinas na contratação de alimentação para a Secretaria de Segurança Pública do Estado.

— Confirmo a existência da organização criminosa, e eu participava dela no gerenciamento do recebimento de todas as propinas e distribuição delas — disse ele, ao ser questionado por Bretas se havia uma organização criminosa chefiada por Cabral.

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Ao confirmar a estrutura da organização criminosa comandada por Cabral, Miranda disse que o MPF tinha traçado um panorama "próximo" da realidade, na denúncia da Operação Calicute.

— O quadro (descritivo) do MInistério Público é próximo da realidade — disse a Bretas.

De acordo com ele, o ex-secretário Wilson Carlos era responsável por todas as tratativas e acordos do governo com os empresários. Ele e Carlos Bezerra cuidavam de receber o dinheiro e distribuir. E o ex-secretário da Casa Civil Regis Fichtner, segundo o delator, era o homem de confiança de Cabral e cuidava da estrutura da propina dentro do governo.

Ele afirmou que toda propina arrecadada era direcionada aos irmãos Marcelo e Renato Chebbar, que tinham a função de enviar para o exterior ou manter guardados os recursos arrecadados pela quadrilha.

Álvaro Novis, segundo o delator, era o doleiro responsável por repassar dinheiro da Fetransport e da Odebrecht para a organização criminosa de Cabral. A propina arrecadada dos empresários do transporte era entregue diretamente por Novis a Miranda. Já o dinheiro pago pela empreiteira era operado diretamente por Novis com doleiros no exterior e depois retornava ao esquema, segundo Miranda.

O delator afirmou ainda que nunca levou dinheiro para a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, mas pedia que Bezerra entregasse propina a ela. E que Cabral lhe pedia que pagasse algumas contas pessoais de Adriana. 

EMPRESÁRIO LUCROU R$ 8 BI

Na Operação Ratatouille, o empresário Marco Antônio de Luca, chefe de um cartel de alimentos que lucrou R$ 8 bilhões nos governos Cabral e Pezão, foi preso pela Polícia Federal (PF). As investigações indicaram o pagamento de pelo menos R$ 12,5 milhões em vantagens indevidas a autoridades públicas.

Duas das empresas da família, a Comercial Milano e a Masan Serviços Especializados, lideram o mercado de fornecedores de alimentos para os presídios e para escolas públicas do governo estadual. Esta forte presença no setor inspirou o nome da operação, "Ratatouille", um rústico prato francês (feito à base de legumes cozidos em azeite) que também batiza um longa-metragem de animação, no qual um ratinho não se contenta apenas em roubar alimentos, como os demais, e luta para ser um grande chef de cozinha.

O clã dos de Luca também atua no fornecimento de equipamentos, limpeza e conservação predial para órgãos estaduais e prefeituras fluminenses, incluindo contratos de valores elevados na capital durante a gestão de Eduardo Paes. Em 2010, a Masan chegou a fazer uma alteração do objetivo social da empresa para assumir, logo depois, um contrato com o município do Rio, no valor de quase R$ 13 milhões, para gerir a frota de fumacês destinada ao combate à dengue.

Marco Antônio de Luca é um velho amigo de Sérgio Cabral e vizinho do ex-governador na chamada "República de Mangaratiba", localizada na Praia de São Braz, no Condomínio Portobello Resort, onde assessores e empresários próximos ao peemedebista ostentam mansões com pequenas marinas para suas lanchas de alto porte.

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Jeferson Ribeiro
O Globo
Editado por Política na Rede
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