sábado, 16 de dezembro de 2017

Total de roubos no estado do Rio atinge maior número desde 1991; número de roubos violentos supera o de furtos


Polícia recupera carga roubada na Zona Norte do Rio 
Imagem:  Pablo Jacob / Agência O Globo
Em meio à crise financeira, o Rio também enfrenta uma explosão de roubos no estado. O número total de ocorrências é o maior em quase três décadas. É o que revelam dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) compilados pelo GLOBO. Nos 11 primeiros meses de 2017, foram 212.065 casos — uma média de 27 por hora. É o maior número desde 1991, primeiro ano da série histórica feita pelo órgão. Os roubos de carga, como os registrados ontem na cidade, ajudam a engrossar as estatísticas.


A multiplicação dos roubos nos últimos anos superou de longe o crescimento populacional. Enquanto o total de habitantes do estado aumentou 30,53% desde 1991, o número de crimes subiu 447,63%. Os dados surpreenderam especialistas que estudam a violência. Ex-secretário nacional de Segurança Pública, o coronel José Vicente da Silva Filho ressalta que um dado alarmante é o fato de o número de roubos (geralmente praticados com alguma dose de violência) superar o de furtos. De janeiro até novembro, foram registrados 133.317 furtos.

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— Em regra, nas notificações desses dois crimes, espera-se que 60% dos casos sejam de furtos. Se a lógica se inverte, mostra que os bandidos estão se expondo mais, apostando na impunidade. Isso acontece quando a estrutura da Segurança Pública está enfraquecida. Esses dados mostram que a violência no estado chegou a níveis epidêmicos. Se a estratégia atual de combate à violência não mudar, a tendência é que todas as estatísticas de segurança piorem ainda mais nos próximos anos — disse José Vicente.

Na avaliação do cientista político Guaracy Mingardi, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a escalada da violência no Rio deve ser analisada em um contexto que leve em conta não apenas problemas enfrentados pelo estado, mas também falhas na estratégia de combate à violência pelo restante do país.

— Os governos estaduais concentram recursos nas polícias militares para fazer a segurança ostensiva e investem menos na atividade de investigação. Em lugar de desvendar crimes, os policiais acabam tendo que dedicar mais tempo à burocracia. E os bandidos ficam impunes. No caso do Rio, a situação se agravou devido à falta de recursos e a estratégias equivocadas. O projeto das UPPs era muito bom, mas se expandiu de uma forma pouco planejada, sendo insustentável a longo prazo — disse Guaracy.

VIOLÊNCIA NO RASTRO DA CRISE

As estatísticas mostram que o número de roubos tem aumentado desde 2014 — quando o estado começou a ter problemas de caixa. A presidente da Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa, deputada Martha Rocha (PDT), disse que existe uma associação clara entre o recrudescimento da violência e a falta de recursos para a segurança pública:

— Se a infraestrutura da segurança está sucateada, a consequência imediata é o aumento do número de crimes em vias públicas. Os recursos podem ser escassos, mas, nessa hora, o governo deveria optar por investir nas áreas mais prioritárias, como é a segurança — disse Martha.

Em relação a homicídios, os números deste ano estão bem abaixo do que foi registrado em 1991. A queda foi de 29%. De janeiro a novembro deste ano, foram registrados 4.882 assassinatos. Número superior ao de 2016. O total de notificações, no entanto, ainda está longe do recorde registrado em 1995 (7.803 casos no período de janeiro a novembro).

As estatísticas do ISP relativas ao mês de novembro foram divulgadas ontem. Os dados também revelaram que os casos de morte em confronto com policiais continuam a crescer no estado. No mês passado, foram 125 ocorrências, contra 94 em novembro de 2016 (uma alta de 33%). Já entre janeiro e novembro deste ano, foram 1.035, um crescimento de 26,7% em relação ao mesmo período de 2016. Reportagem do GLOBO revelou que a PM do Rio é a que mais mata e a que mais morre no Brasil.

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Luiz Ernesto Magalhães
O Globo
Editado por Política na Rede
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