sábado, 27 de janeiro de 2018

Aliados de Lula já falam abertamente que acordo para a eleição é improvável


Imagem: Marco Antônio Teixeira / Agência O Globo
Apesar de ter aprovado na quinta-feira uma resolução em que fala em “formar ampla e sólida aliança” para a eleição presidencial de 2018, o PT não deve encontrar facilidade para pôr esse plano em prática. Potenciais aliados dos petistas já falam abertamente que qualquer possibilidade de composição está descartada, depois da decisão do Tribunal Regional Federal da 4º (TRF-4) de condenar por 3 votos a 0 o ex-presidente Lula a 12 anos e um mês de prisão no caso do tríplex do Guarujá.



Apesar de ter manifestado solidariedade a Lula antes do julgamento, o PCdoB e o PSOL estão dispostos a ter candidatos próprios na disputa deste ano. O PDT também já está com a candidatura de Ciro Gomes nas ruas. Na tentativa de romper o isolamento, o PT vinha cortejando o PSB para reeditar uma aliança que esteve em vigor até a disputa presidencial de 2014. As cúpulas dos dois partidos chegaram a se reunir em novembro.

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— Existia uma chance pequena (de se aliar com Lula), forçada pelas composições regionais basicamente no Nordeste. Agora, posso dizer que esse não será o caminho do PSB. Qualquer partido que queira se aliar ao PT sabe que é uma aliança de grande risco — afirmou o líder do partido na Câmara, Júlio Delgado (MG).

Na avaliação do líder do PSB, não há dúvida de que Lula será enquadrado na Lei da Ficha Limpa e impedido de concorrer.

Procurado para comentar os impactos da decisão do TRF de condenar Lula na costura de alianças, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse que este não é momento de tratar de alianças para a disputa a presidencial. Isso, segundo ele, só se dará em março.

A costura de alianças para a candidatura do petista já vinha enfrentando dificuldades. Um aliado histórico, o PCdoB, que esteve com o PT em todas disputas presidenciais desde a redemocratização, anunciou no ano passado que a deputada estadual Manuela d´Ávila, do Rio Grande do Sul, vai concorrer ao Planalto. Para o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), além da candidatura de Lula, sub judice, há três outros candidatos do campo de esquerda na disputa deste ano, inclusive o nome apresentado pelo PCdoB.

— Essa decisão do TRF potencializou a indefinição e a incerteza na cena política brasileira. O PSOL não vai deixar de ter candidato, o Ciro não vai deixar de ser candidato e a Manuela não vai deixar de ser candidata — afirmou o deputado Orlando Silva, que foi ministro de Lula e um de seus principais defensores.

Reservadamente, dirigentes do PCdoB vinham afirmando que poderiam retirar candidatura própria se a situação jurídica de Lula se resolvesse. Os comunistas não querem ficar reféns de um plano alternativo do PT, como o ex-governador Jaques Wagner ou o ex-prefeito Fernando Haddad.

ATÉ BOULOS PODE ABANDONAR

Um outro aliado de Lula que pode se lançar na disputa presidencial nos próximos meses é o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. Ele foi convidado para se filiar ao PSOL, mas ainda não deu a resposta. Um dos pontos que seria analisado por Boulos é a situação jurídica da candidatura de Lula.

— Meu palpite é que o Boulos vai consolidar a sua candidatura por causa da instabilidade da conjuntura — afirma Orlando Silva.

Se for confirmado o cenário projetado no momento, Lula pode ser inscrito pelo PT no dia 15 de agosto para disputar a Presidência da República, pela primeira vez em seis disputas, sem nenhum partido aliado.

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Sérgio Roxo
O Globo
Editado por Política na Rede
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