sábado, 20 de janeiro de 2018

Anistia Internacional denuncia Maduro por execução ilegal de Óscar Pérez


Para matar o ex-piloto, a ditadura usou até um míssil
Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A ONG Anistia Internacional (AI) denuncia a execução ilegal do piloto rebelde Óscar Pérez na Venezuela por forças de segurança do governo. Segundo a organização de direitos humanos, o episódio levanta múltiplos alarmes sobre violações graves de direitos humanos no país do presidente Nicolás Maduro, incluindo crimes proibidos pela legislação internacional. A operação da semana passada que terminou na morte do dissidente contou com dezenas de agentes de segurança, que utilizaram uma arma militar que deixa aos seus atingidos poucas chances de sobrevivência.



"Na operação, os funcionários utilizaram uma arma militar que não apenas está desenhada para mater, mas também deixa poucoas probabilidades de sobrevivências. Além disso, o uso desta arma pôs em perigo a vida das pessoas ao redor", diz a Anistia Internacional em nota.

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A ONG pede uma investigação urgente sobre a morte de Pérez, que tomou o noticiário venezuelano nos últimos dias. O dissidente estava foragido por sete meses, desde que, em junho, roubou um helicóptero e sobrevoou prédios públicos em Caracas — supostamente realizando ataques, de acordo com o chavismo. Desde então, publicava vídeos e imagens nas redes sociais com mensagens de protesto contra o governo Maduro.

— É inadiável que o governo venezuelano garanta que as autoridades civis realizem uma investigação imediata, imparcial, independente e exaustiva sobre o uso intencionalmente letal da força nesta operação, e demonstre que este não foi um caso de execução extrajudicial — disse Erika Guevara Rosas, Diretora para as Américas da AI. — Tragicamente, esta não é a primeira vez que as autoridades venezuelanas justificam o uso letal da força, simplesmente se baseando em alegações de "atividades criminais", deixando de lado o estado de direito.

Além disso, a ONG teria recebido denúncias de que os mortos na operação contra Pérez serão cremados sem a autorização dos familiares e sem as diligências de investigação pertinentes. Os parentes pedem que os corpos sejam devolvidos.Na terça-feira, a esposa de Pérez, Dana Vivas, exigiu no Twitter que o governo "permita à família identificar o corpo", e assegurou que não autorizavam sua cremação.

Em uma declaração, a ONG Fórum Penal enfatizou que é dever do Estado "garantir a vida, mesmo aqueles que foram identificados como perpetradores ou participantes em atos puníveis. Sem incorrer em práticas que poderiam ser consideradas como execuções ou execuções informais ou a aplicação informal da pena de morte, proibida na Venezuela".

Pérez, de 36 anos, também ficou conhecido como paraquedista, ator e mergulhador, além de piloto de helicóptero. Em conta ativa no Instagram, ele publicava frequentemente fotografias e vídeos referentes a seus trabalhos militares.

— Sou um homem que sai à rua sem saber se vai voltar para casa, porque a morte faz parte da revolução — descreveu-se Pérez em 2015.

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O Globo
Editado por Política na Rede 
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