sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Gleisi diz que defender o porte de armas para defesa é pior do que ameaçar e dizer que 'vai ter que matar gente'


'Nós vamos lutar! Não vamos ficar mansos, não'
Imagem: Reprodução / UOL
A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, diz ter usado uma "força de expressão" quando mencionou que, para prender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teriam que "matar gente". Para Gleisi, ela é tratada de forma diferente em relação ao deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), postulante ao Planalto que chegou a prometer "porte de arma para todos" e dizer que "o ser humano só respeita o que teme".



"A mídia fez um carnaval com a minha frase, mas é extremamente passiva com os discursos violentos que o Bolsonaro faz. Então, se a violência parte de um setor da sociedade... ela é aceita", disse ao UOL.

Gleisi diz ter usado a expressão por estar "indignada, assim como a nossa militância está". "E nós vamos lutar. Nós não vamos ficar mansos, não! Nós vamos lutar!", disse, referindo-se a uma possível confirmação da condenação de Lula.

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No próximo dia 24 de janeiro, a 8ª Turma do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) irá julgar a apelação de Lula contra a condenação a nove anos e seis meses de prisão por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no processo do tríplex. Caso a sentença do juiz federal Sergio Moro seja confirmada, Lula pode ser preso e cair na Lei da Ficha Limpa, ficando impedido de disputar a eleição presidencial, marcada para 7 de outubro.

A presidente do partido diz que não irá aceitar uma decisão contra Lula e que os militantes irão lutar caso isso aconteça. "Nós não vamos ficar mansos, não", disse.

"Nós não podemos elevar o tom de voz e dizer que nós não vamos aceitar injustiça neste país? Que condenar o Lula sem prova é uma violência?"

Para ela, não há provas de que o ex-presidente tenha cometido os crimes. Segundo a força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal) na Operação Lava Jato, Lula seria o verdadeiro dono de um apartamento no Guarujá (SP), uma vantagem indevida por envolvimento em esquemas de corrupção entre a construtora OAS e a Petrobras. A defesa do petista diz que ele nunca foi proprietário do apartamento e que não há atos de ofício que apontem atos irregulares do político.

Eleição

Para o PT, não há como Lula não estar na eleição deste ano. Ele será registrado como candidato do partido em 15 de agosto. Caso esteja enquadrado na lei da Ficha Limpa, os petistas irão utilizar recursos para tentar garantir sua presença na disputa. Esse processo só deve ser finalizado poucas semanas antes da eleição. Lula, durante quase um mês, poderá fazer campanha pelo país mesmo com sua candidatura sendo avaliada.

Na avaliação de Gleisi, o grande adversário de Lula em uma eventual campanha presidencial seriam os "golpistas", como são definidos pelos petistas os apoiadores do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Eles estariam "desconstruindo" o país. "É contra isso que nós lutamos e é para melhorar as condições do Brasil que o Lula vai ser candidato. Nós não escolhemos adversário, nós escolhemos nosso candidato".

A presidente nacional não descarta alianças, em eleições estaduais, com o PMDB, partido do atual presidente, Michel Temer, e ex-aliado petista. Ela cita a situação de seu Estado como exemplo. 

"A possibilidade de nós fazermos coligação com o PMDB lá no Paraná é muito grande. Se o [senador Roberto] Requião decidir ser candidato a governador, nós vamos possivelmente apoiá-lo. E o PMDB é que está governando, está no golpe".

Segundo Gleisi, para essas alianças, serão analisadas a realidade em cada Estado. A presidente do partido acredita que o eleitor entende esse tipo de coligação, mesmo após as brigas em função do impeachment. "Entende, né? O eleitor do Paraná conhece o Requião. Sabe da postura dele, sabe como ele se posicionou durante todo esse processo. Quando você é claro nas propostas e tem clareza na causa, o eleitor entende".

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Bernardo Barbosa e Nathan Lopes
UOL
Editado por Política na Rede
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