sábado, 6 de janeiro de 2018

Sete ministros que vão disputar eleição só querem sair em abril


Imagem: Evaristo Sá / AFP
Apesar da expectativa de uma substituição gradual de ministros que vão se candidatar nas próximas eleições, pelo menos metade deles quer ficar em seus cargos de primeiro escalão até a data-limite, 7 de abril.


Dos 14 ministros que estudam participar da disputa deste ano, 7 prometem ficar em suas pastas até essa data. Três deles dizem que ainda não definiram quando deixarão seus cargos e dois afirmam que não decidiram se vão se candidatar. Outros dois não responderam aos questionamentos da Folha de S. Paulo.

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O presidente Michel Temer passou a trabalhar com a possibilidade de antecipar as trocas do primeiro escalão depois que dois ministros pediram demissão em uma semana: Ronaldo Nogueira (Trabalho) e Marcos Pereira (Indústria e Comércio Exterior).

A expectativa era de que eles pedissem exoneração em abril, quando a legislação eleitoral obriga que candidatos deixem cargos no Executivo, mas ambos alegaram que precisavam sair para organizar suas campanhas.

Nogueira, que é deputado pelo PTB do Rio Grande do Sul, pretende se candidatar à reeleição. Pereira, presidente nacional do PRB, quer disputar uma vaga na Câmara por São Paulo.

"Todos os ministros que serão candidatos têm que sair até março. Eu acredito que alguns podem sair antes do Carnaval, mas é um processo e cada ministro vai avaliar o seu momento", afirmou Carlos Marun (Secretaria de Governo).

OBRAS

Parte dos ministros quer ficar no cargo o maior tempo possível para poder entregar obras que podem impulsionar suas candidaturas. Alguns desses projetos ainda não estão concluídos e, portanto, eles resistem em deixar os ministérios agora.

Procurados pela Folha, disseram que deixarão o cargo em abril os ministros Leonardo Picciani (Esporte), Osmar Terra (Desenvolvimento Social), Marx Beltrão (Turismo), Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Ricardo Barros (Saúde) e Blairo Maggi (Agricultura).

Mesmo ministros que não definiram uma data de saída apontam que podem deixar o cargo apenas em abril, embora digam que podem antecipar o cronograma.

"Não estabeleci nenhum prazo. Evidentemente, tenho o prazo da lei", disse Mendonça Filho (Educação).

Temer tentou realizar em dezembro uma reforma ministerial para desalojar da linha de frente do governo os políticos que vão disputar cargos nas urnas este ano.

O presidente queria redistribuir esses espaços para as siglas de sua coalizão, em busca de apoio para a reforma da Previdência. O Planalto foi obrigado a recuar depois de uma forte reação dos partidos da base aliada.

Temer foi obrigado a chamar os dirigentes dos partidos para renegociar o ritmo da reforma e decidiu adiá-la para este ano.

*

MINISTROS QUE PODEM DEIXAR O GOVERNO TEMER

Leonardo Picciani (MDB)
Esporte
Abril
"A princípio, sairei no fim do prazo, ou seja, em abril"

Osmar Terra (MDB)
Desenvolvimento Social
Abril

Marx Beltrão (MDB)
Turismo
Abril
Segundo assessoria, vai seguir prazo de desincompatibilização [abril]

Helder Barbalho (MDB)
Integração Nacional
Indefinido

Aloysio Nunes (PSDB)
Relações Exteriores
Abril

Ricardo Barros (PP)
Saúde
Abril

Blairo Maggi (PP)
Agricultura
Abril

Mendonça Filho (DEM)
Educação
Indefinido
"Não estabeleci prazo. Evidentemente, tenho o prazo da lei: abril"

Henrique Meirelles (PSD)
Fazenda
Indefinido
"Tenho dito reiteradas vezes que só decidirei em abril"

Gilberto Kassab (PSD)
Ciência, Tecnologia e Comunicações
Indefinido
Segundo assessoria, caso seja candidato, sairá em abril

Raul Jungmann (PPS)
Defesa
Indefinido

Fernando Coelho Filho (Sem partido)
Minas e Energia
Abril
"Depende do presidente, mas se depender de mim, saio em abril"

Maurício Quintella (PR)
Transportes
Não foi localizado

Sarney Filho (PV)
Meio Ambiente
Não foi localizado

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Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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