sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Em campanha, Lula pretende manter ataques a juízes e desembargadores e poupar ministros do STJ e STF


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Após aparecer na liderança nas intenções de voto ao Planalto na pesquisa Datafolha, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu intensificar sua campanha pelo país, a despeito da condenação a 12 anos e um mês de prisão pela segunda instância no último dia 24. A primeira parada deve ser em Belo Horizonte, no dia 7. Ainda em fevereiro, Lula planeja mais um ato de pré-lançamento de sua candidatura no Nordeste, antes de iniciar uma caravana pelo Rio Grande do Sul. A Amazônia deve ser outro destino da caravana.


Nesses eventos, Lula e o PT devem manter o roteiro de ataques pesados contra as sentenças que condenaram o ex-presidente por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava-Jato. Segundo aliados, no entanto, o ex-presidente e os petistas deverão poupar os órgãos superiores. A esperança do partido é de que o Supremo Tribunal Federal (STF) possa impedir que Lula seja preso. Ao condenar o ex-presidente no última dia 24, os desembargadores determinaram a execução da pena após a apreciação do único recurso a que a defesa tem direito na segunda instância, que é o embargo de declaração.

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— A Gleisi (Hoffmann, senadora ré e presidente do PT) já deu essa sinalização ao defender um voto de confiança aos órgãos superiores — afirma um dirigente do PT, se referindo à entrevista concedida pela senadora ao jornal "Folha de S.Paulo", na última segunda-feira, quando ela afirmou que "confia nas cortes superiores".

Também pesou para adotar mais cautela nas críticas ao Judiciário o alerta feito pela presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Ela afirmou esta semana que usar o caso de Lula para revisar a decisão sobre a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância seria "apequenar" o Supremo.

— Criticar o absurdo da sentença e recorrer a instâncias superiores não é criticar toda a Justiça. Pelo contrário, é esperar coerência da mesma. Acreditamos em uma Justiça sem casuísmos, a começar por sem casuísmo contra Lula — afirma um aliado do petista, ao ser questionado sobre a reação do Judiciário contra as críticas feitas pelo ex-presidente a sentença dos desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

O PT já fez um ato de lançamento da candidatura de Lula em São Paulo no dia seguinte ao julgamento do TRF-4. O segundo ato, previsto para a próxima quarta-feira, será feito em um estado comandado pelo PT — Fernando Pimentel é o governador de Minas Gerais.

No Datafolha, Lula aparece na dianteira em todos os cenários com intenção de voto de até 37%. Já nos casos em que o nome do petista ficou de fora da pesquisa, houve aumento de votos nulos e brancos em até 15 pontos percentuais, com alta mais acentuada nas regiões Nordeste e Norte e na faixa salárial de até dois salários mínimos — perfil historicamente identificado com o ex-presidente.

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Gustavo Schmitt
O Globo
Editado por Política na Rede 
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