sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Lula se irrita com menção a cachorrinha em processo: 'Se eu soubesse que ia ser tudo isso, eu deixava a jararaca comer a Mel'


Imagem: Nelson Almeida / AFP
O processo da Lava Jato referente ao sítio de Atibaia (SP) contra o ex-presidente Lula (PT), retomado na segunda-feira (5) pelo juiz Sergio Moro, têm dois personagens inusitados: Mel, a cachorrinha de estimação da família do petista, e uma cobra jararaca. Os animais foram parar na ação como uma das provas de que o sítio é de Lula.



O caso da cachorra e da cobra deixou o ex-presidente especialmente irritado. No último dia 25, durante reunião da comissão executiva nacional do PT, Lula ironizou a inclusão de Mel e da jararaca no processo do sítio.

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“Eu fiquei sabendo de uma coisa que vocês não tem noção do que vai vir pela frente ainda”, disse o ex-presidente à militância petista, começando a contar a história. “Eu tenho uma cachorrinha chamada Mel. Ela tava lá em Atibaia, na chácara do Fernando Bittar [o dono oficial do sítio]. E uma jararaca mordeu ela.”

Em seguida, Lula começou a criticar a força-tarefa da Lava Jato por ter incluído os dois animais na investigação. “Eles estão colocando no processo o fato da minha cachorrinha ter sido mordida por uma jararaca lá no sítio... É a prova de que o sítio é meu”, disse. “E o que é mais grave: foram entrevistar, interrogar a veterinária [que tratou da cachorra]. Se eu soubesse que ia ser tudo isso, eu deixava a jararaca comer a Mel, porra”, prosseguiu o ex-presidente, arrancando risos da plateia.

“Mas nós fomos bons. Não matamos a jararaca. Pegamos a jararaca... Um companheiro meu aqui, corajoso, pegou a jararaca pela cabeça, colocou dentro de um pote e levou lá pra veterinária. E a Mel tá salva e a jararaca deve ter mordido outro já. Podia ter mordido os caras que foram lá encher o saco. Mas não mordeu”, finalizou Lula.

O ex-presidente usou o caso de Mel e da jararaca para exemplificar como supostamente as provas contra ele no processo do sítio são frágeis. E também para argumentar, em suas palavras, que está “sendo vítima de uma trama premeditada” da Lava Jato para incriminá-lo.

Lula é acusado de ser o verdadeiro dono do sítio, que teria sido usado como pagamento de propina de contratos das empreiteiras Odebrecht e OAS com a Petrobras. A propriedade também teria recebido benfeitorias pagas como propina.

Notas fiscais do tratamento da cachorra constam como prova no processo

A história da cachorrinha e da cobra consta da acusação formulada pelo Ministério Público Federal (MPF). Está na parte da denúncia em que são apresentadas, como provas contra Lula, notas fiscais de fornecedores de bens encontrados no sítio ou de prestadores de serviços que, de alguma forma, envolvem a propriedade. Segundo o MPF, essas notas indicam que o ex-presidente seria o verdadeiro dono do sítio.

No caso de Mel, as notas fiscais são de serviços prestados numa clínica veterinária de Atibaia. Após ser mordida pela cobra, a cachorra ficou internada na clínica de 31 de março a 2 de abril de 2012, conforme consta do documento fiscal. 

O depoimento da dona da clínica também está na ação. Ela relatou aos investigadores que o animal foi levado pelo segurança Misael Melo da Silva, que disse que Mel era de Marisa Letícia, mulher de Lula falecida em fevereiro do ano passado. O cheque de pagamento do serviço, que custou R$ 900, foi assinado por Marisa.

A ação ainda afirma que a cachorrinha voltou a ser atendida na mesma clínica para tratar de problemas dermatológicos em 3 de novembro de 2012. Nesse caso, o serviço custou R$ 352,70 e foi pago com cartão. Os investigadores da Lava Jato não conseguiram identificar de quem era o cartão.

Os dois atendimentos da cachorra de Lula pela clínica formam um conjunto de indícios que mostram que Lula era um frequentador assíduo do sítio – fato que, para o MPF, ajuda a provar que a propriedade era efetivamente dele.

Denúncia traz notas fiscais de outros produtos e serviços pagos por pessoas ligadas a Lula

As notas fiscais da clínica veterinária não são as únicas que constam do processo e tampouco são as únicas evidências apresentadas pela Lava Jato.

No mesmo trecho da denúncia em que estão as notas da clínica, constam ainda documentos fiscais de compra de vários outros produtos encontrados no sítio e pagos por Marisa Letícia ou por pessoas ligadas a Lula e à Odebrecht: uma embarcação pequena, pedalinhos, uma roçadeira, uma capa de piscina, uma porta de correr, peças de vidraçaria, materiais de construção.

O MPF sustenta que esses investimentos na propriedade, pagos por familiares do petista e pela empreiteira, provam que Fernando Bittar era apenas um “laranja” de Lula no sítio.

Na denúncia, também constam como provas objetos pessoais de Lula e Marisa Letícia encontrados no sítio, além de depoimentos de que a família do petista usava o imóvel como se fosse deles.

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Fernando Martins
Gazeta do Povo
Editado por Política na Rede
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