quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Ministro da Economia grego renuncia após jornal revelar que ele recebia auxílio-moradia


Imagem: John Thys / AFP
O ministro da Economia e do Desenvolvimento da Grécia, Dimitri Papadimitriou, renunciou ao cargo um dia depois de sua mulher, vice-ministra do Trabalho, se demitir após um jornal local revelar que ela, mesmo rica, recebia auxílio-moradia. Um assessor do agora ex-chefe da pasta confirmou a saída nesta terça-feira. Papadimitriou entregou sua carta de demissão ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, na noite de segunda-feira, e alegou "razões de sensibilidade política" para a renúncia, informou uma autoridade do ministério à agência de notícias "Reuters".

Tsipras aceitou a demissão e agradeceu ao ministro por seu serviço à frente do ministério, confirmou um comunicado do escritório do premier. Nesta segunda-feira, a mulher de Papadimitriou, Rania Antonopoulou, deixou o cargo após a revolta popular com a revelação de ela recebeu o subsídio de habitação apesar de acumular fortuna pessoal.

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Embora não haja impedimento para a vice-ministra solicitar e receber o benefício, a notícia surpreendeu e causou ultraje entre os cidadãos de um país que sofre os efeitos de uma crise financeira há anos e que tem um terço da população na pobreza. O ministro e a mulher se mudaram de Nova York, nos Estados Unidos, para compor a gestão de Tsipras.

Desde 2015, Rania Antonopoulou atuava como vice-ministra do Trabalho, atuando sobretudo na questão do desemprego no país. Por isso, ela tinha direito ao auxílio-moradia, voltado a membros do governo que não tinham residência na capital Atenas. No domingo, o jornal local "Proto Thema", próximo da oposição política grega, revelou o benefício do qual chamou de "casal mais rico do governo" e desatou as críticas à suposta insensibilidade do pagamento. Os oposicionistas pressionaram pela renúncia.

CASAL VAI DEVOLVER DINHEIRO

Papadimitriou e Raina dividiam um apartamento em Atenas, pelo qual ela reivindicava o auxílio-moradia. Em 23 meses, até agosto de 2017, a vice-ministra recebeu 23 mil euros de benefício (o equivalente, na cotação atual, a R$ 91,3 mil). Ela se comprometeu a devolver o dinheiro, mas negou qualquer infração.

"Nunca foi minha intenção provocar o senso de justiça público ou ofender o povo grego. Durante este período de crise, enquanto milhares de pessoas agonizam sobre suas casas, sua renda, seus empréstimos, eu entendo que esse benefício, mesmo legítimo, cause ultraje. Eu também estou ciente que a minha situação financeira reforce a indignação popular", reconheceu Raina, em comunicado.

A mídia grega reportou que, na declaração de renda do casal, constam o recebimento de 450 mil euros de renda em 2015 (R$ 1,7 milhão) e o depósito de outro meio milhão de euros (R$ 1,9 milhão) em bancos do país. Há também ações e propriedades na Grécia e no exterior no nome dos dois.

O porta-voz do governo, Dimitris Tzanakopoulos, destacou a um rádio grega na segunda-feira que o primeiro-ministro Alexis Tsipras considerava "inapropriada se aproveitar do benefício". Segundo a "Reuters", o premier decidiu cortar o auxílio-moradia de membros de sua gestão que não fossem do Parlamento.

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O Globo
Editado por Política na Rede
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