segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

'Pautas imutáveis' dos candidatos ignoram que segurança pública é o assunto mais importante para a nação no momento atual, alerta promotor


Imagem: Produção Ilustrativa / Gazeta Social
O promotor Rodrigo Merli Antunes, que atua no Tribunal do Júri de Guarulhos, aponta que os números alarmantes da segurança pública deveriam tornar esse assunto a questão mais relevante das próximas eleições, mas os pré-candidatos insistem em "pautas ideológicas previamente estabelecidas e imutáveis". O promotor ironiza: "se for para ignorar o problema, que então elejamos quem faz deboche e apologia dos tiroteios e da malandragem em geral".



Leia abaixo o artigo completo:  

Que tiro foi esse?
Apenas no primeiro mês do ano, mais de 600 tiroteios ocorreram no Rio de Janeiro, sendo isso o equivalente a mais ou menos 20 episódios por dia. No mesmo local e período, cerca de 15 policiais já foram assassinados, o que representa um agente morto a cada 48 horas. Para se ter uma noção desse absurdo, é certo que até mesmo um aplicativo de celular já foi criado para que as pessoas possam descobrir, em tempo real, onde está ocorrendo um tiroteio na “cidade maravilhosa”, isso para que tenham condições de desviar a tempo de uma bala perdida. 
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Já no Ceará, o número de homicídios passou de 200, isso também somente no primeiro mês de 2018. Nos outros estados, a coisa não foi muito diferente, o que revela estarmos diante de uma verdadeira guerra civil sem precedentes, a qual, por óbvio, exigiria maior preocupação por parte do Poder Público e da sociedade. 
No entanto, não vejo isso ocorrer. Eu e mais alguns poucos Promotores do Júri do Brasil (curadores da vida na acepção estrita do termo) estamos há tempos martelando na mesma tecla. Todavia, tudo indica que nossa plateia é composta por surdos ou beócios. 
É evidente que este assunto é o mais importante para a nação no momento atual e não as pautas ideológicas previamente estabelecidas e imutáveis, as quais ganharam a simpatia de muitos e até mesmo da grande mídia (economia, mercado, minorias, gênero, etc). 
Não que isso não tenha importância. Pode até ter! Mas, como sugerido, de nada adianta se preocupar com desenvolvimento econômico, com igualdade e respeito se não tivermos pessoas vivas para usufruírem disso tudo. 
E, quando a carnificina a que me refiro é levemente abordada aqui ou acolá, as soluções preconizadas pelos “especialistas” de plantão chegam a ser sofríveis e desesperadoras: a) desarmamento cada vez maior da população civil (e não dos bandidos); b) legalização das drogas; e c) desencarceramento em massa. Isso tudo, segundo eles, diminuiria em muito os índices de violência detectados. 
Mas será que não seria mais interessante providenciarmos exatamente o contrário? Creio que o filósofo americano Richard M. Weaver estava certo ao dizer que “os especialistas estão sempre no limite da psicose”. É realmente assustadora essa visão completamente distorcida da realidade! 
Mas, e os presidenciáveis que estão a surgir por aí? O que pensam deste assunto? É preciso saber! Será que quase todos eles irão continuar em silêncio? Digo isso porque, se for para ficarem quietos, melhor então fazer campanha para a funkeira do hit acima citado (Que tiro foi esse?) ou então para aquela outra que se vangloria do adjetivo “malandra”. 
Sim, porque se for para ignorar o problema, que então elejamos quem faz deboche e apologia dos tiroteios e da malandragem em geral. Acho que dá no mesmo! É o fim do mundo, não? Mas o pior é que muitos ainda levam a sério esta minha ironia e realmente votam em pessoas assim. No Brasil, ídolos da TV ou da música são tidos como presidenciáveis com a maior naturalidade. Infelizmente, essa é a nossa cultura, ou, nas palavras do escritor inglês Theodore Dalrymple, aquilo que sobrou dela.

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