sexta-feira, 30 de março de 2018

Amigos de Temer pedem liberdade por idade avançada e problemas de saúde


Imagem: Produção Ilustrativa / Política na Rede
A defesa do empresário José Yunes, amigo do presidente Michel Temer (MDB), protocolaram na tarde quinta-feira, 29, no gabinete do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo, pedido de revogação da prisão temporária ou concessão de regime domiciliar soba alegação de saúde fragilizada e idade avançada. José Yunes foi preso pela manhã na Operação Skala, que investiga irregularidades no Decreto dos Portos, e prestou depoimento na Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo.

“Mesmo já tendo, em três oportunidades distintas, prestado declarações nos autos principais, o requerente (José Yunes) foi surpreendido, na data de hoje, com uma ordem de prisão temporária, para que fosse, pela quarta vez, inquirido sobre os mesmíssimos fatos”, argumenta a defesa.

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O pedido é subscrito pelos advogados José Luis Oliveira Lima, Rodrigo Dall’Acqua, Ana Carolina Piovesana e Rossana Brum Leques. Os defensores afirmam que ‘não há motivos’ para se manter José Yunes preso temporariamente, pois ele ‘não representa qualquer risco para o bom andamento das investigações ou a colheita de provas’.

De acordo com os advogados, o amigo de Temer ‘é primário, ostenta ótimos antecedentes, está com 81 anos de idade e passa por sérias complicações de saúde’.

“Seu estado de saúde atual passa por tratamento químico e ambulatorial. Ele apresenta quadro clínico psiquiátrico com tratamento de ansiedade, caracterizado como transtorno do pânico e faz uso de medicamentos controlados”, relatou a defesa.

“Desde junho de 2016, o requerente passa por tratamentos de quadro de “dislipidemia” e por acompanhamento “cardiológico por disfunção valvar”. Naquela época, foi detectado quadro de “refluxo gastro-esofágico” significativo, sintomas “cardiocirculatórios”, além de quadro de “ansiedade generalizada com episódios frequentes de agudização.”

Os advogados narraram ainda que em 9 de janeiro de 2018, José Yunes passou por intervenção cirúrgica para troca de valva aórtica.

“Após alta hospitalar, o Requerente continuou com sintomas de ansiedade e permanece em tratamento desde então. Sua última consulta foi há dois dias, especificamente em 27 de março de 2018”, relataram os advogados.

“Ressalte-se que a Custódia da Polícia Federal da Superintendência Regional de São Paulo informou aos advogados do Requerente que, em razão do feriado e do final de semana, José Yunes ficará incomunicável por três dias seguidos (até 02.04.2018, segunda-feira), sem poder receber seus advogados ou visitas, o que fragiliza ainda mais o cenário exposto.”

Com exames de sangue ‘muito alterados’, Ortolan também pede liberdade

A defesa do ex-secretário de Educação de Americana (SP) Milton Ortolan, preso nesta quinta-feira, 29, na Operação Skala, que pegou os amigos do presidente Michel Temer (MDB), pediu sua liberdade por meio de habeas corpus. Milton Ortolan é braço direito do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi, também capturado pela Polícia Federal durante a manhã na investigação sobre o Decreto dos Portos.

“O estado de saúde do requerente (Milton Ortolan), de 69 anos de idade, inspira cuidados. Recentemente, realizou exames de sangue e ultrassom, que detectaram índices de PSA muito alterados, além de aumento das dimensões da próstata, que demandam acompanhamento médico, inclusive com suspeitas de câncer de próstata”, relatou a defesa no pedido de habeas.

Além de Ortolan e Wagner Rossi, foram presos o empresário e advogado José Yunes, o presidente da empresa Rodrimar, Antonio Celso Grecco, o coronel da PM reserva João Batista de Lima Filho, o coronel Lima.

O presidente Michel Temer (MBD) é um dos alvos da investigação e está sob suspeita de beneficiar a empresa Rodrimar na edição do decreto voltado ao setor portuário.

Segundo os advogados, ‘Milton Ortolan deixou a Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP) há mais de dez anos, ainda no ano de 2008, não tendo qualquer relação com a recente edição do chamado Decreto dos Portos’.

“Jamais poderia estar envolvido com um suposto esquema contínuo de concessão de benefícios públicos”, afirmou a defesa.

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Breno Pires e Rafael Moraes Moura
O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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