terça-feira, 13 de março de 2018

'Estou pronto para ser preso', diz Lula em entrevista para livro


Imagem: Gabriela Biló / Estadão
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou estar "pronto para ser preso" em entrevista para o livro "A verdade vencerá: o povo sabe por que me condenam", que será lançado nesta sexta-feira (16) em São Paulo pela editora Boitempo.


"Eles vão tomar a decisão, eu estou pronto para ser preso. É uma decisão deles", disse Lula em entrevista aos jornalistas Juca Kfouri, colunista do UOL, e Maria Inês Nassif; Ivana Jinkins, fundadora e diretora da editora Boitempo; e Gilberto Maringoni, professor de relações internacionais da UFABC (Universidade Federal do ABC) e candidato a governador de São Paulo pelo PSOL em 2014.

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Lula deu tal declaração quando questionado por Kfouri se estava cogitando a possibilidade de ser preso. O ex-presidente respondeu que sim.

"Estou. O que não estou preparado é para a resistência armada, nem tenho mais idade. Como sou um democrata, nem aprender a atirar eu aprendi. Então, isso tá fora", disse o petista.

Mais adiante na resposta, Lula diz: "Eu não vou sair do Brasil, eu não vou me esconder em embaixada, eu não vou fugir. A palavra 'fugir' não existe no meu dicionário. Vou estar na minha casa, chegando entre oito e nove horas da noite, indo dormir às dez horas, acordando às cinco da manhã para fazer ginástica. Há duas instâncias superiores a que a gente pode recorrer [STJ e STF], e vamos recorrer."

Condenado em segunda instância no chamado processo do tríplex, da Operação Lava Jato, Lula pode ter sua prisão ordenada depois do julgamento dos recursos no TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre), o que pode ocorrer ainda este mês. 

O livro com a íntegra da entrevista, feita ao longo de três encontros em fevereiro, será lançado em evento com a presença de Lula no Sindicato dos Químicos de São Paulo, às 18h de sexta-feira (16).

Ao longo da entrevista, Lula fala sobre os processos que enfrenta na Justiça, trata do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), lembra de como queria que Eduardo Campos (PSB) - que morreu em 2014 - fosse o candidato apoiado pelo PT em 2018 e aborda outros temas da política brasileira.

Além da entrevista com o ex-presidente, que ocupa 124 das 216 páginas da publicação, o livro conta com textos do escritor Luis Fernando Veríssimo; de Luis Felipe Miguel, professor de ciência política da UnB (Universidade de Brasília); do jornalista e tradutor Eric Nepomuceno; do advogado Rafael Valim; e do jornalista Camilo Vannuchi, que prepara uma biografia sobre a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta no ano passado.

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Bernardo Barbosa
UOL
Editado por Política na Rede 
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