quinta-feira, 8 de março de 2018

Lula ficará em campanha mesmo de dentro da cadeia, dizem petistas


Imagem: Produção Ilustrativa / Política na Rede
Mesmo antes de o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negar o habeas corpus, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já vinha demonstrado em conversas com aliados estar conformado com a ideia de que será preso. A possibilidade cada vez mais real de uma prisão não deve, porém, alterar os planos de manter a sua candidatura. Petistas insistem que Lula se manterá em campanha mesmo cumprindo pena. O plano B do partido só será acionado se a Justiça Eleitoral cassar o registro da candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. Nesse caso, os cotados para assumir a cabeça da chapa são o ex-prefeito Fernando Haddad e o ex-governador Jaques Wagner.

Os dirigentes do partido discutem um plano para o dia em que a decretação da prisão do ex-presidente for sacramentada. A ideia é que ocorra uma mobilização de apoiadores, mas os detalhes do local e da forma do ato dependerão da estratégia que o juiz Sergio Moro adotar ao expedir o mandado. Se mantiver a ordem em sigilo até o seu cumprimento seria complicado, por exemplo, realizar uma manifestação na frente do apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo.

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Placar esperado, diz Haddad

No momento em que os ministros do STJ decidiam sobre o seu recurso, Lula se reunia com integrantes de movimentos sociais na sede de seu instituto, em São Paulo.

— Ninguém olhou televisão, rádio ou celular. Foram uns 50 minutos de conversa. Nem tocamos no assunto do julgamento — afirmou Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP), que esteve no encontro.

No fim da tarde, Haddad, coordenador do programa de governo da candidatura petista ao Planalto, esteve com Lula. Na saída, revelou que a preocupação do ex-presidente era apenas assistir ao jogo entre PSG e Real Madrid, pela Liga dos Campões da Europa.

— Ele não falou sobre o julgamento. Já era um placar esperado — disse o ex-prefeito.

Agora, as esperanças dos petistas de evitar a prisão do ex-presidente se voltam para o Supremo Tribunal Federal. Os dirigentes tentam pressionar a presidente da Corte, Cármen Lúcia, a colocar em votação em plenário a discussão se condenados em segunda instância devem começar a cumprir pena.

— Se o Supremo analisar a questão de acordo com o que está na Constituição não tem com o que se preocupar — afirmou Haddad.

Uma preocupação no PT é evitar que a a decisão do STJ mine a candidatura de Lula. Na noite de ontem, a presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann, postou nas redes sociais um vídeo para reafirmar que o ex-presidente disputará a eleição.

— Tem muita gente perguntando se depois da decisão do STJ contra o presidente Lula ele continua candidato. Sim, Lula será o nosso candidato a ser registrado no dia 16 de agosto. Essa votação não tem a ver com o processo eleitoral.

Trânsito em julgado

No vídeo, Gleisi também fez um apelo ao STF:

— A gente espera agora que a o Supremo Tribunal Federal, que tem muita responsabilidade com o país, paute imediatamente as duas ações de constitucionalidade que falam sobre prisão em segunda instância. Temos que ter a nossa Constituição de volta, que fala que ninguém será preso antes do trânsito em julgado de uma sentença condenatória.

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Sérgio Roxo
O Globo
Editado por Política na Rede
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