terça-feira, 20 de março de 2018

MST invade e vandaliza fábrica da Nestlé em Minas para 'cobrar uso consciente da água'


Imagem: MST
Um grupo de aproximadamente 600 mulheres do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) invadiu uma fábrica de água mineral da Nestlé, na cidade de São Lourenço, no Sul de Minas Gerais, na manhã desta terça-feira (20).

O protesto integra uma série de "ações" do MST para "chamar atenção por um uso mais sustentável da água". O Brasil sedia o 8º Fórum Mundial da Água ao longo desta semana em Brasília.

Segundo o MST, a unidade da Nestlé em São Lourenço foi alvo do protesto porque a exploração do produto no município, conhecido nacionalmente por suas reservas hidrominerais, afetou a disponibilidade do líquido aos moradores.

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“Antes de ser privatizada, a água era amplamente utilizada para tratamentos medicinais. Além da redução da vazão, nota-se a mudança no sabor da água, ou seja, a exploração está fazendo com que [o líquido] perca seus sais minerais”, segundo trecho de comunicado do MST.

A Nestlé mantém a fábrica em São Lourenço desde 1994, ano em que adquiriu as fontes minerais e o Parque das Águas de São Lourenço.

A invasão começou por volta das 5h. Segundo a PM, as milicianas deixaram a unidade por volta das 10h de forma pacífica. Uma vistoria detectou, no entanto, que um equipamento foi danificado.

A PM não soube informar à reportagem qual era o equipamento depredado e se o problema interrompeu as atividades da fábrica. Uma advogada do MST, que não foi identificada, foi responsabilizada pelo dano, informou a polícia.

OUTRO LADO

A Nestlé Waters confirmou, por meio de nota, que parte das instalações de sua unidade fabril em São Lourenço foi atingida durante o "ato" do MST. A empresa, no entanto, não especificou os danos. "A companhia reitera que respeita a liberdade de expressão e opinião, mas lamenta que a manifestação tenha gerado danos nas instalações, local de trabalho de mais de 80 colaboradores", disse.

A Nestlé informou, ainda, que está totalmente comprometida com a administração sustentável dos recursos hídricos e o direito humano à água. Reiterou que em todos os locais onde extrai água, realiza estudos de recursos hídricos e monitora frequentemente as retiradas para garantir que não afetem as bacias hidrográficas locais e os aquíferos. 

O MST foi procurado, mas até esta publicação ainda não havia se manifestado.

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Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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