sábado, 14 de abril de 2018

Hegemonia do 'politicamente correto' levou a nação à vanguarda do atraso, diz promotor


Imagem: Produção Ilustrativa / Gazeta Social
O promotor de Justiça Marcos Eduardo Rauber, do Rio Grande do Sul, explica como a hegemonia do "politicamente correto" impôs padrões de "normalidade" que excluem os valores de grande parte da população. Pessoas com valores conservadores são tratadas como "loucas" e são atacadas: "Os que ousam desviar-se dessa cartilha são classificados como lunáticos radicais (senão coisa pior), passam a ser vistos com desconfiança e tornam-se alvo de escárnio e maledicência". E aponta: "a conquista dessa hegemonia política-ideológica e cultural no Brasil não trouxe progresso. Ao contrário, seus valores distorcidos projetaram a nação à vanguarda do atraso, precipitaram-na no abismo da miséria material e moral".


Leia abaixo o artigo completo:

Rotular pejorativamente pessoas cujas opiniões e condutas destoam da cultura hegemônica em determinada época não constitui nenhuma novidade, mas um antigo artifício. 
Leia também: 

Um dos primeiros registros históricos do emprego desse infame expediente encontra-se no capítulo 26 do livro dos Atos dos Apóstolos, cuja autoria é atribuída a Lucas, evangelista, médico e historiador. A passagem narra episódio ocorrido entre 60 e 62 d.C., quando Paulo de Tarso, vítima de falsas acusações dos líderes judaicos, exercia sua defesa perante o Rei Herodes Agripa II e Pórcio Festo, Governador da Cesaréia, capital da província romana da Palestina. Enquanto Paulo discursava, inclusive narrando sua repentina e surpreendente conversão de perseguidor implacável da Igreja Cristã à condição de notório pregador do cristianismo, Festo o interrompeu, bradando: “Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar!”. A réplica à injúria veio prontamente: “Não deliro, ó excelentíssimo Festo, antes digo palavras de verdade e de perfeito juízo.”.
Ora, Paulo não era um plebeu iletrado. Tampouco padecia de doença mental. Era homem culto e erudito, poliglota (falava e escrevia em hebraico, aramaico, latim e grego), instruído segundo toda a lei judaica, em Jerusalém, pelo famoso Rabino Gamaliel (um dos maiores e mais ilustres doutores da Lei na época), além de ser conhecedor da cultura e filosofia greco-romana. Paulo fora alguém muito respeitado por seus concidadãos. Mesmo assim, foi arbitrariamente interrompido e tachado como “louco” porque sua fala e conduta passaram a destoar do padrão ditado pela hegemonia cultural vigente. 

Passados dois milênios, neste mundo pós-moderno, em que importantes valores civilizatórios estão sendo achincalhados e postos “de ponta cabeça”, a vil etiquetagem continua. Nos dias que correm, para tornar-se potencialmente merecedor do rótulo de “louco” (associado a outros xingamentos “da moda”) basta que o sujeito, por exemplo:

1) esteja casado com pessoa do sexo oposto há alguns anos; valorize o casamento heterossexual monogâmico e a família tradicional; 2) considere seu trabalho mais do que fonte de renda ou status, mas algo que lhe dá sentido à vida, uma vocação e uma oportunidade de servir ao próximo e promover o bem comum;3) creia em valores morais absolutos e imutáveis, professe a fé cristã e mantenha uma vida regrada e coerente; integre agremiação religiosa, contribua financeiramente e/ou preste serviços voluntários em dias e horários de folga;4) aprecie expressões artísticas e musicais de elevada qualidade técnica, que não exaltem a licenciosidade sexual, a objetificação da mulher, a malandragem ou o banditismo;5) sustente que a escola deve ensinar as disciplinas do currículo sem doutrinação político-ideológica, cabendo preferencialmente à família educar crianças e adolescentes, transmitindo-lhes valores morais, religiosos e orientação sexual;6) seja patriota e expresse apoio a ações policiais e militares na defesa da lei, da ordem e da soberania nacional; 7) manifeste-se favorável ao agravamento das penas, ao maior rigor na execução penal, à prisão após condenação em segunda instância, à redução da maioridade penal e à defesa dos direitos humanos também das vítimas;8) defenda posicionamentos contrários ao desarmamento civil, ao aborto, à legalização das drogas, à erotização infanto-juvenil e à ideologia de gênero.
Por outro lado, a defesa de pautas denominadas “progressistas”, que propõem justamente o contrário das ideias antes mencionadas, passou a ser prova cabal da mais absoluta sanidade mental, neutralidade, ponderação e bom senso. 

E como se chegou a essa situação? FLÁVIO GORDON, Doutor em Antropologia Social pela UFRJ (in “A Corrupção da Inteligência: Intelectuais e Poder no Brasil”, pp. 66-67), observa que para determinar a média da opinião pública, fabricando um aparente consenso social, “Basta que a classe falante cole naqueles que destoam de seus valores rótulos tais como ‘fanáticos’, ‘extremistas’, ‘ultrarreligiosos’, ‘reacionários’ ou ‘polêmicos’, fazendo com que pareçam portar uma visão parcial e radical do mundo, alheia à racionalidade padrão da opinião pública. Assim, a excêntrica visão de mundo de uma casta social minoritária acaba fazendo as vezes da normalidade sadia, ao passo que valores da maioria são ridicularizados e desprezados como aberrações patológicas, fruto de mentalidades pouco esclarecidas.”
Foi o que ocorreu no Brasil. A elite cultural brasileira, secularizada e contrária aos valores morais e sociais tradicionais, apregoados pelas religiões de matriz judaico-cristã, dominou grandes setores da mídia, das artes e da academia, influenciando também as esferas político-administrativas do Estado. Assim, difundiu sua particular visão de mundo, impondo à população brasileira – ainda majoritariamente conservadora - um moralismo próprio, o politicamente correto. Os que ousam desviar-se dessa cartilha – mesmo em um Estado Democrático de Direito, cuja Constituição tutela a liberdade da expressão, de crença religiosa e convicção filosófica ou política – são classificados como lunáticos radicais (senão coisa pior), passam a ser vistos com desconfiança e tornam-se alvo de escárnio e maledicência, pouco importando sua honradez pessoal, competência profissional, qualificação técnica ou a razoabilidade de seus argumentos. Em decorrência disso, a maioria se submete à “espiral do silêncio”, temendo o isolamento, a exposição ao ridículo ou mesmo sofrer represálias.
Contudo, a conquista dessa hegemonia política-ideológica e cultural no Brasil não trouxe progresso. Ao contrário, seus valores distorcidos projetaram a nação à vanguarda do atraso, precipitaram-na no abismo da miséria material e moral. Segundo dados oficiais, disponíveis na internet: 61.619 assassinatos por ano (em 2016); 01 roubo ou furto de veículo por minuto e 49.500 ocorrências de estupro (em 2017); 79º lugar no ranking de desenvolvimento humano da ONU; 88º lugar do ranking de educação da UNESCO; 1º lugar no ranking mundial de consumo de crack; 2º lugar no ranking mundial de consumo de cocaína; 7ª maior taxa de gravidez na adolescência na América do Sul; 05 casos de exploração sexual de crianças ou adolescentes por dia (entre 2003 e 2008); 1º lugar no ranking da exploração sexual infanto-juvenil na América Latina (em 2012); 23.973 crianças e adolescentes vivendo nas ruas de 75 cidades com mais de 300.000 habitantes; 47.000 crianças e adolescentes em abrigos; índices de transmissão e contágio de doenças sexualmente transmissíveis em crescimento e 50 milhões de brasileiros vivendo na linha da pobreza. 
A desalentadora realidade brasileira restitui valor aos “loucos” virtuosos desta nação, os quais, a despeito de risinhos irônicos, rotulações pejorativas e perseguição, aceitam diariamente o desafio de conservar e restaurar as tradições e valores fundamentais que sempre e em qualquer lugar garantiram harmonia, estabilidade e prosperidade à civilização humana, preservando-a dos nefastos efeitos da barbárie, pois como observa o escritor e psiquiatra britânico THEODORE DALRYMPLE, “o sábio questiona apenas aquelas coisas que merecem questionamento.” 

Veja também:





Gazeta Social
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...