terça-feira, 17 de abril de 2018

José Dirceu convoca militância para luta: 'temos de aprender a lutar em todas as frentes e temos de ser implacáveis'


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
Em uma rara aparição pública, feita em um salão apertado da capital federal, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendeu na noite desta segunda-feira (16) que a militância petista seja implacável, não deixando o governo federal funcionar.


Num discurso a cerca de cem militantes, em um cenário modesto comparado ao da época que era homem forte do Palácio do Planalto, ele pregou que "todo lugar deve ser uma trincheira" e que o papel principal do partido neste momento é de libertar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reelegê-lo.

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"Todo lugar é uma trincheira. Onde eu estiver, vou estar numa trincheira, mas sou como um de vocês: eu estou preocupado com Lula, não comigo. Vocês podem ver que eu me cuidei. Eu sou um soldado, temos que libertar o Lula. Temos que enfrentá-los e não baixar a cabeça. Eles têm que ter certeza de que vamos ressurgir das cinzas. Temos que ser implacáveis com eles. Eles não deixaram a gente governar, por que vamos deixar eles governar?", questionou.

Condenado pela Operação Lava Jato e inexplicavelmente solto, o petista participou de plenária no Sindicato dos Servidores Públicos do Distrito Federal. Ele disse que o momento não é mais de só resistir e criticou o juiz federal Sergio Moro.

Na opinião dele, o magistrado é um instrumento de um "aparato de perseguição política" no país. "Eles estão transformando o processo eleitoral em um simulacro. Ao banir o Lula das eleições deste ano, evidentemente que a eleição passa a ser um simulacro", criticou.

Em uma espécie de auto-crítica, reconheceu que o seu partido falhou, que cometeu erros e que, agora, é o momento dele formar uma frente de luta e "ir ao encontro do povo".

"Nós temos uma contradição. Nós ganhamos as eleições, mas não temos base popular para defender o governo", disse. "Nós cometemos erros. A solidariedade e o apoio da militância é porque ela é generosa", acrescentou.

Com o risco de ser preso, o petista disse que hoje está preocupado com a situação do ex-presidente petista, não com a dele, e que pretende em junho lançar seu livro de memórias.

Em maio, com votos favoráveis de Gilmar Mendes, Toffoli e Lewandowski, Dirceu conseguiu o direito de aguardar recurso em liberdade. Em 2016, ele foi condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva e organização criminosa. A pena dele chega a 30 anos e 9 meses de prisão.

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Gustavo Uribe
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede 
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