segunda-feira, 30 de abril de 2018

Mesmo com péssima avaliação do Congresso, partidos apostam na reeleição dos mesmos políticos


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
Responsável pela legislatura mais mal avaliada de que se tem registro, o atual Congresso Nacional deve chegar às eleições de outubro com os partidos apostando suas principais fichas em políticos tradicionais.


O clima geral contrário aos atuais legisladores e movimentos organizados que defendem uma ampla renovação na Câmara e Senado não foram suficientes até agora para sensibilizar as legendas de forma relevante.

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Líderes de vários partidos ouvidos pela Folha de S. Paulo nas últimas semanas afirmaram que a maioria dos parlamentares tentará a reeleição, com acesso privilegiado às verbas públicas de campanha e à propaganda eleitoral na TV.

São poucas as novidades também na lista de apostas para os chamados “puxadores de voto”, políticos que recebem um apoio elevadíssimo e, com isso, conseguem eleger colegas de legenda bem menos votados.

Pelo sistema eleitoral brasileiro, as cadeiras da Câmara são divididas aos partidos mediante um cálculo que leva em conta toda a votação obtida por seus candidatos.

Enéas Carneiro (1938-2007), por exemplo, recebeu 1,5 milhão de votos em São Paulo em 2002 e levou para a Câmara outros cinco candidatos de sua legenda, sendo que um deles havia recebido apenas 275 votos.

Nas últimas eleições, Celso Russomanno (PRB-SP) foi o campeão de votos (1,5 milhão de votos), o que levou mais quatro correligionários para a Câmara.

E Russomanno é de novo a aposta do PRB, partido que o demoveu até agora de sua intenção de disputar o governo de São Paulo justamente sob o argumento de que prioriza a eleição para a Câmara.

O PT dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff tem como uma de suas apostas de puxadora de voto para deputado federal a atual senadora e presidente da sigla, Gleisi Hoffmann (PR). 

O PSDB, principal adversário dos petistas na última década, não tem um nome consensual. Os parlamentares ouvidos apontaram figuras como Carlos Sampaio (SP), deputado federal em seu quarto mandato, e Carlos Osorio, candidato derrotado à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016.

O MDB de Michel Temer também não conta com nome de expressão a ponto de ser chamado de candidato a “campeão de votos”. A não ser que consiga, como querem alguns no partido, convencer a senadora e ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy a disputar uma vaga de deputado federal.

Em São Paulo, a aposta de alguns parlamentares é a de que Eduardo Bolsonaro (PSL) surfe na candidatura presidencial do pai e seja um dos mais votados à Câmara.

No campo da esquerda, a principal expectativa é em torno de Marcelo Freixo (PSOL), candidato derrotado em segundo turno à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016. Freixo era um dos principais aliados da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada na cidade no mês passado.

Em Pernambuco, o PSB aposta em João Campos, filho mais velho de Eduardo Campos, ex-governador morto em acidente aéreo em 2014 em plena campanha à Presidência da República.

Apesar da inclinação dos partidos pelos políticos tradicionais, algumas legendas filiaram recentemente quadros na tentativa de repetir o fenômeno Tiririca (PR), outro campeão de votos, mas que tem afirmado não pretender disputar a reeleição.

O DEM é o principal deles. O partido filiou em São Paulo os apresentadores José Luiz Datena e Otávio Mesquita, além do líder do MBL (Movimento Brasil Livre) Kim Kataguiri.

O PSL integrou em seus quadros o ator Alexandre Frota (SP).

O pleito que escolherá em outubro os 513 deputados para a próxima legislatura tem uma importância elevada para os partidos, por dois motivos.

As siglas que tiverem um desempenho pífio nas eleições para a Câmara tenderão a desaparecer ou caminhar para a irrelevância, já que perderão praticamente todo o acesso às verbas públicas e à propaganda na TV, mecanismos essenciais à sua sobrevivência.

Cláusula de desempenho (ou de barreira) aprovada em 2017 estabelece como piso 1,5% dos votos válidos aos candidatos à Câmara, distribuídos em pelo menos um terço dos Estados, ou a eleição de ao menos nove deputados federais em pelo menos um terço dos Estados.

Se essas regras estivessem em vigor em 2014, 14 das 32 legendas existentes não atingiriam a meta.

O segundo ponto é que as verbas públicas e a propaganda eleitoral são divididas de acordo com o desempenho das siglas na eleição para a Câmara. Com o fim do financiamento empresarial de campanhas, os congressistas elevaram em R$ 1,7 bilhão a fatia do orçamento para os candidatos.

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Ranier Bragon
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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