quarta-feira, 23 de maio de 2018

No terceiro dia de protestos, caminhoneiros são recebidos por ministros no Palácio do Planalto


Imagem: Nilton Cardin / Estadão Conteúdo
No terceiro dia de protestos de caminhoneiros contra a alta do preço do diesel, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo) e Valter Casimiro (Transportes) se reuniram nesta quarta-feira (23) com representantes da categoria no Palácio do Planalto. Deputados federais também foram à reunião.


Segundo a Casa Civil, a intenção do encontro é ouvir as reivindicações dos caminhoneiros para buscar uma solução que encerre a paralisação. Os protestos pelo país concentram as atenções do presidente Michel Temer e de seus ministros, que desde segunda (21) realizam reuniões para discutir a alta do preço dos combustíveis.

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De acordo com o blog do colunista do G1 Valdo Cruz, o governo teme o “efeito cascata” da greve dos caminheiros, com risco de parada na produção de algumas empresas e de desabastecimento de alimentos e combustíveis.

As sucessivas altas nos valores da gasolina e do diesel, de acordo com a Petrobras, é resultado da política de preços da empresa, adotada desde julho do ano passado. Segundo a estatal, os valores sobem e descem de acordo com as variações no mercado internacional nos preços do petróleo e do dólar, por exemplo.

Na terça (22), o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, anunciou que o governo fechou acordo com o Congresso para zerar a cobrança da Cide (tributo que incide nos combustíveis) sobre o diesel.

O acordo prevê que o corte da contribuição será feito assim que os parlamentares aprovarem o projeto da reoneração da folha de pagamento. Conforme o Ministério da Fazenda, a Cide equivale a R$ 0,05 no valor de cada litro do diesel.

A ideia no governo é utilizar os recursos da retomada da cobrança de impostos sobre setores da economia, prevista pela reoneração, para compensar a perda de arrecadação com o corte da Cide.

O anúncio feito por Guardia, contudo, não foi capaz de encerrar os protestos de caminhoneiros, registrados nesta quarta em pelo menos 22 estados e no Distrito Federal.

Reivindicações dos caminhoneiros

O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, afirmou, ao chegar ao Palácio do Planalto para a reunião, que a intenção de zerar a cobrança da Cide do diesel não é suficiente.

A entidade, que diz representar mais de 1 milhão de caminhoneiros, defende a redução de impostos sobre o preço do diesel, entre os quais PIS/Cofins e ICMS, e o fim da cobraça de pedágio de caminhões que tragevam vazios e com os eixos suspensos.

"São duas revindicações que já foram apresentadas no dia 16: a redução do preço do óleo diesel e uma política definida de reajuste, que é isso que todo mundo precisa para poder continuar e estabelecer contratos de serviço", disse Diumar.

O presidente da CNTA declarou ainda que a política de reajustes poderia ser escalada de três em três meses para permitir um melhor planejamento dos contratos dos caminhoneiros.

"Hoje o caminhão quanda sai do Rio Grande do Sul para o Nordeste, ele contrata por um preço, chega lá com um preço totalmente diferente, vai desafando ao longo da viagem", afirmou Diumar.

Mais cedo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou que negocia a inclusão de um corte "provisório" no PIS/Cofins que incide sobre o diesel, no mesmo projeto da reoneração.

Também nesta quarta, a Petrobras anunciou novo reajuste no preço dos combustíveis nas refinarias. O preço do litro da gasolina baixou 0,62%, passando de R$ 2,0433 para R$ 2,0306. Já o do diesel caiu 1,14%, de R$ 2,3351 para 2,3083.

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Guilherme Mazui
G1
Editado por Política na Rede
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