domingo, 17 de junho de 2018

Câmara paga R$ 13,3 milhões para parlamentares não precisarem apertar botão de elevador


Imagem: Ailton de Freitas / Ag. O Globo
A Câmara dos Deputados assinou, no mês passado, o quarto e último termo aditivo de um contrato para a prestação do serviço de ascensoristas. O acordo está em vigência desde 2014 e já custou R$ 13,3 milhões aos cofres públicos. Para livrar os parlamentares da simples tarefa de apertar um botão do elevador, o último aditivo, que terá prazo de dois meses, foi calculado em R$ 656 mil. Procurada, a Câmara informou que uma nova licitação para o serviço já foi lançada, com valor estimado de R$ 4,3 milhões para um ano de contrato.


De acordo com o contrato atual, a C&P soluções em telemarketing, vencedora da licitação, fornece 50 ascensoristas, oito "telefonistas de fluxo de elevador", sete "recepcionistas de fluxo de pessoas" e um encarregado geral.

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A renúncia ao ato de escolher o andar com as próprias mãos exigiu a criação de uma rígida hierarquia para que o serviço seja prestado de forma eficiente. Os ascensoristas, com salário-base de R$ 1,4 mil, têm a missão de operar o elevador e "tratar os passageiros com urbanidade e polidez".

Já os telefonistas de fluxo, com rendimento mínimo de R$ 1,6 mil, têm o dever de "atender e repassar aos ascensoristas as chamadas de elevadores privativos efetuados por parlamentares" e "controlar a movimentação dos elevadores".

Os recepcionistas de fluxo, com salário-base de R$ 1,9 mil, são responsáveis por "acompanhar os trabalhos desenvolvidos pelos ascensoristas" e "acompanhar o serviço dos ascensoristas na mesa de controle".

Por fim, o encarregado geral, com salário-base de R$ 4,9 mil, é o chefe de toda equipe, responsável por "supervisionar, coordenar e fiscalizar o bom andamento dos serviços", além de "produzir relatórios". Mas não é qualquer um que pode ocupar o cargo. Entre as qualificações necessárias, o encarregado geral precisa ter "curso específico de ascensorista com diploma emitido por empresa legalmente constituído".

O contrato prevê aos funcionários auxílio-alimentação, auxílio-transporte, uniformes, auxílio funeral, assistência médica e odontológica e planos de saúde.

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Bruno Góes
O Globo
Editado por Política na Rede
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