sexta-feira, 1 de junho de 2018

Ex-procurador que ajudou JBS-Friboi em delação tenta concurso para juiz federal


Imagem: Ailton de Freitas / Ag. O Globo
O ex-procurador Marcello Miller, que é investigado por ter ajudado na delação premiada de executivos da JBS enquanto ainda atuava no Ministério Público, tenta agora virar juiz federal. Ele participará do concurso aberto no Tribunal Regional Federal da 3ª Região para a ocupação de 107 vagas de juiz substituto para atuar nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Miller deixou o Ministério Público Federal em abril do ano passado para trabalhar no escritório Trench Rossi Watanabe, que cuidava do acordo de leniência da J&F, controladora da JBS. Mas, como ele próprio admitiu, auxiliou executivos da JBS antes de ter deixado seu cargo de procurador.


A inscrição de Miller no concurso para juiz já foi deferida e ele realizará a primeira prova no dia 10 de junho em São Paulo. Atualmente, o ex-procurador mora no Rio.

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O ex-procurador esteve à frente de acordos de delação premiada de grande repercussão na Lava-Jato, como o do ex-senador Delcídio Amaral e do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Também atuou na colaboração de executivos da Andrade Gutierrez. Miller integrou o grupo de trabalho da Lava-Jato na gestão de Rodrigo Janot na Procuradoria-Geral da República. Antes de deixar o cargo definitivamente, já tinha sido transferido para o Rio de Janeiro e atuava apenas como "colaborador eventual" do grupo.

Ao deixar o MP, abriu mão de rendimento mensal de R$ 34,9 mil bruto, já incluídos benefícios de auxílio moradia, alimentação e pré-escola. Apesar de ter atuado formalmente por apenas três meses no escritório de advocacia, Miller recebeu R$ 1,6 milhão para deixar a sociedade. Seu salário fixo no escritório era de R$ 110 mil.

Miller é investigado pela Polícia Federal e pelo MP por ter atuado para a J&F enquanto ainda era procurador. Os investigadores apuram se ele recebeu dinheiro da empresa quando ainda ocupava o cargo público. Ele chegou a ser alvo de um pedido de prisão em setembro do ano passado, mas o ministro Edson Fachin indeferiu a medida. A previsão é que a PF conclua a investigação sobre o ex-procurador até a próxima semana.

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Bela Megale e Eduardo Bresciani
O Globo
Editado por Política na Rede
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