quarta-feira, 18 de julho de 2018

Ciro chama militantes do MBL de 'delinquentes juvenis'


Imagem: Diego Padgurschi / Folhapress
O presidenciável Ciro Gomes (PDT) chamou os militantes do MBL (Movimento Brasil Livre) de “delinquentes juvenis”. O pré-candidato fez a afirmação ao ser questionado sobre o inquérito aberto contra ele pelo Ministério Público de São Paulo para investigar eventual crime de injúria racial contra o vereador Fernando Holiday (DEM-SP).

“MBL? Eu sou candidato a presidente do Brasil, uma das maiores democracias do mundo e esses delinquentes juvenis são o que são. São o que são. E serão portanto assim tratados: delinquentes juvenis”, afirmou ele durante entrevista à Rádio Bandeirantes nesta terça-feira (18).

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Ciro havia chamado vereador Holiday de “capitãozinho do mato” durante entrevista à Rádio Jovem Pan. Um mês depois, o pedetista reiterou a fala e negou ter sido racista. “Quando você acusa alguém de capitão do mato, sabendo do histórico como eu sei, você está defendendo os negros. Um camarada que faz uma perseguição da agenda dos negros é um capitão do mato”, disse.

Questionado sobre o fato de o vereador ser negro, Ciro citou as propostas defendidas por Holiday e alegou ter o direito de criticá-lo.

“Esse jovem entrou para a política dizendo que ia acabar com as cotas contra os negros, acabar com o dia da consciência negra, num país que foi o mais atrasado em revogar a escravidão. Todas as entidades que defendem a questão dos negros no Brasil tem raiva e chamam ele de capitão do mato. Vamos ser sérios: onde é que tem racismo nisso?”.

Nesta quarta-feira (18), em evento em São Paulo, ao comentar o pedido de investigação feito pelo Ministério Público, Ciro chamou o promotor do caso de “filho da puta”, sem saber que a responsável pelo caso é uma mulher, conforme informou a coluna Painel.

O presidenciável voltou a fazer críticas à promotoria durante a entrevista na rádio. “Ele vai responder pelos abusos, porque não devo nada a ninguém. Ele vai me respeitar e ele vai ser desmascarado. Eu não sei nem quem é. Fazem isso porque o Brasil virou essa baderna”, afirmou. 

Ciro afirmou que o promotor responsável estaria “a serviço de uma facçãozinha pela luta política eleitoral notoriamente qualificada por falsidade e financiamento estrangeiro” e disse que se eleito vai colocar cada um no seu quadrado e restaurar a autoridade da democracia e da lei no país. 

“Vai acabar. Eu presidente da República, cada um vai para o seu quadrado. O Judiciário vai para o seu quadrado. O parlamento vai para o seu quadrado. O Ministério Público vai para o seu quadrado”, disse.

O pedetista acusou a promotoria de tentar aparecer propondo a investigação. “Quer aparecer? Põe uma melancia no pescoço”, afirmou.

Ciro disse que apesar de ser chamado de coronel pelos militantes do MBL, segundo ele pelo fato ser nordestino, nunca pensou em entrar na justiça por causa disso. 

HUMILHADOS DO PT E PSDB

O pré-candidato também falou sobre as tratativas para firmar alianças com os partidos do chamado centrão. Segundo ele, o PSB está mais próximo, mas há “muita andorinha voando e nenhuma na mão.”

Ciro comparou o cenário de indefinição na corrida presidencial ao de 1989, quando Fernando Collor foi eleito presidente, e disse que sua candidatura tem unido os partidos que se decepcionaram com a política do PT e PSDB.

“Ao meu redor está se desenhando uma reflexão sobre a primeira eleição desde a redemocratização em que o PT e o PSDB não teriam o comando do processo eleitoral e em que os enjeitados, humilhados do PT —o PDT meu partido, PSB, PC do B— e os humilhados do PSDB, o DEM, PP, SD, estão buscando outro caminho. Se isso for verdade, estaremos fazendo história”, afirmou.

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Géssica Brandino Gonçalves
Folha de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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