quarta-feira, 4 de julho de 2018

Presidente da GE na América Latina é preso em nova fase da Lava Jato


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O presidente da General Eletrics (GE) na América Latina, Daurio Speranzini Júnior, teve decretada prisão temporária nesta quarta-feira (4/7). Ele é um dos alvos da operação Ressonância, da operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

Desdobramento da operação Fatura Exposta, a investigação apura um cartel de fornecedores que atuou de 1996 a 2017 no Instituto Nacional de Traumatologia (Into), no Rio de Janeiro.

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O objetivo é aprofundar as investigações sobre contratos da área da Saúde celebrados pelo estado do Rio de Janeiro com o Into. Foram decretadas, além da prisão de Daurio, outras oito prisões temporárias e 13 prisões preventivas. Além de prisões, buscas e apreensões, foi decretado o bloqueio de bens no valor de R$ 1,2 bilhão.

Segundo os pedidos de busca e apreensão e prisão feitos pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ), Daurio Speranzini era CEO da Philips Medial System Ltda em 2010 e hoje exerce as funções de CEO da GE Healthcare na América Latina, que também foi citada pelo colaborador Cesar Romero, ex-subsecretário de Saúde do Rio, como integrante do denominado “clube do pregão internacional”.

Ao quebrar o sigilo telefônico de Miguel Iskin, os investigadores descobriram que Speranzini segiu realizando as contratações espúrias com o poder público (Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro) por intermédio da Oscar Iskin mesmo após assumir o cargo na GE.

Segundo o MPF, há provas de que Speranzini, “na qualidade de executivo máximo da Philips Medical System tinha plena ciência das fraudes a licitações praticadas em conluio com Miguel Iskin” por intermédio da empresa Rizzi Comércio Importação, Exportação e Representação.

Mesmo alertado por um dos funcionários da Philips sobre as fraudes, narra o MPF, ele “optou por manter os contratos com o Poder Público e buscar eximir a empresa de qualquer responsabilidade sobre as vendas superfaturadas, apresentando requerimento de exclusão da Philips do contrato firmado com o Ministério da Saúde”.

Para os procuradores, a situação se “reveste de maior gravidade” pois mesmo após a investigação interna ocorrida na Philips que culminou com a saída de Daurio Speranzini Júnior, ele ingressou na GE e permaneceu com as práticas ilícitas relativas à contratação com o Poder Público por intermédio da Oscar Iskin”, dizem os investigadores.

O MPF frisa que a GE Healthcare continua com contratos ativos em órgãos públicos federais e já recebeu mais de R$ 460 milhões do governo federal neste ano. Em 2017, o total recebeido de 1,4 bilhão de reais.

“Existem robustas provas da participação de Speranzini em crimes de corrupção, fraudes a licitações e organização criminosa, existindo, ainda, provas sobre a atuação pretérita do investigado para impedir que os fatos criminosos pudessem ser conhecidos por terceiros e chegassem ao conhecimento dos órgãos de controle”, escreveram os procuradores.

Eles também destacaram que o esquema criminoso revelado agora é bem mais amplo do que se conheceu na operação Fatura Exposta. “Restou demonstrado que a organização criminosa continua atuando nas contratações públicas do INTO, inclusive por meio de empresas que participaram ativamente das fraudes em conluio com os ora representados”, diz trecho dos pedidos.

Segundo o MPF, a empresa Oscar Iskin, do empresário Miguel Iskin,  era a líder do cartel formado por pelo menos 33 empresas, algumas delas atuando como laranjas das demais, que se organizavam no chamado “clube do pregão internacional”.

O MPF-RJ dividiu o esquema nos núcleos administrativo-político, formado por membros do setor público, e núcleo econômico, formado por empresários cartelizados.

“No núcleo administrativo da organização criminosa, destaca-se a atuação de Jair Vinnicius Ramos da Veiga, conhecido como Coronel Veiga, responsável por controlar de fato as licitações no Into e na Secretaria Estadual de Saúde. O esquema de corrupção no Into permaneceu mesmo após as mudanças nos cargos de direção, envolvendo o atual diretor-geral do Into, André Loyelo, e o coordenador de administração geral, Luís Carlos Moreno, os quais continuaram os ajustes com empresas contratantes, incluindo algumas integrantes do cartel”, diz o MPF.

Já no núcleo econômico atuavam os principais executivos de fabricantes multinacionais de equipamentos médicos. Segundo os investigadores, eles ajustavam as vitórias nas licitações mediante o pagamento de comissão a Miguel Iskin no valor de 13% dos contratos. Iskin montou uma rede complexa de lavagem de dinheiro, utilizando-se de offshores em diversos países e empresas no Brasil.

Em entrevista ao JOTA em janeiro deste ano, o procurador Sérgio Pinel, integrante da força-tarefa da Lava Jato no Rio, disse haver indicativos de que corrupção na Saúde do estado permanecia até aquele momento, apesar da deflagração da operação Fatura Exposta, em abril de 2017.

“Eu não ficaria surpreso se descobrisse mais à frente que há até os dias de hoje pagamento de propina na área da saúde”, declarou o procurador da República na ocasião.

Segundo ele, já havia indicativos de que só houve uma mudança do sistema, mas não uma interrupção do sistema corrupto. “Há uma indicação de que as empresas desse grupo permanecem delinquindo até os dias de hoje. Não podemos dizer que permanecem, de fato”, afirmou Pinel na entrevista.

Procurada, a GE não retornou os contatos.

Confira as prisões decretadas na operação Ressonância:

Foram determinadas as prisões temporárias de:
1. Luiz Sérgio Braga Rodrigues
2. Márcia de Andrade Oliveira Cunha Travassos
3. Albert Holzhacker
4. Frederik Knudsen
5. Daurio Speranzini Júnior
6. Ermano Marchetti Moraes
7. Julio Cezar Alvarez
8. Daniele Cristine Fazza da Veiga
9. André Luiz Loyelo Barcellos

Também foram decretadas as prisões preventivas de:
1. Miguel Iskin
2. Gustavo Estellita
3. Marco Antônio Guimarães Duarte de Almeida
4. Marcos Vinicius Guimarães Duarte de Almeida
5. Gaetano Signorini
6. Wlademir Rizzi
7. Adalberto Rizzi
8. Antônio Aparecido Georgete
9. Ivan Console Ireno
10. Jair Vinnicius Ramos da Veiga
11. Luis Carlos Moreno de Andrade
12. João Batista da Luz Júnior
13. Rafael dos Santos Magalhães

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Luciano Pádua
Jota
Editado por Política na Rede
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