terça-feira, 17 de julho de 2018

PSL, partido de Bolsonaro, indica recusa a aliança com PR e decide valorizar candidatos próprios à Câmara


Imagem: Ailton de Freitas / Ag. O Globo
O presidente do PSL, Gustavo Bebianno, disse nesta terça-feira que não aceita as exigências feitas pelo PR para fechar uma aliança neste ano e indicou o fim das negociações sobre uma composição com Jair Bolsonaro (PSL). Depois do recuo de Magno Malta (PR-ES) para ser vice na candidatura à Presidência da República e de desentendimentos em palanques regionais, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, Bebianno disse que "um verdadeiro comandante não abandona seu soldado" — uma referência a candidatos do PSL que seriam “sacrificados” em uma possível aliança.

O principal objetivo do chefe do PR, Valdemar Costa Neto, é eleger uma bancada relevante para o Congresso Nacional. Como o PSL não aceita fazer uma aliança também na eleição proporcional, nos estados, as conversas cessaram. Segundo estimativa interna do PR, a coligação com o PSL no Rio de Janeiro, por exemplo, poderia resultar na eleição de cinco ou seis deputados para a bancada do partido. Sem a aliança com o partido de Bolsonaro, a perspectiva cai para dois deputados.

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— Estamos todos preparados com nossos quadros e aliados do partido para seguirmos a guerra. Muita consciência e muito respeito aos candidatos a deputado que poderiam ser sacrificados se fosse para atender alianças. Um verdadeiro comandante não abandona seu soldado. A principal preocupação do Bolsonaro e do partido é o respeito aos seus quadros. Aqueles que ajudaram a construir o partido em todos os estados — disse Bebianno, que se reuniu nesta terça-feira com a cúpula do PSL.

O presidente do diretório de São Paulo do PSL, deputado Major Olímpio, também participou da reunião e indicou que o partido caminha mesmo neste sentido:

— Não acredito que possa sair aliança com o PR. Impor condições que ponham no sacrifício candidatos do PSL, que possivelmente serão eleitos, não faremos nunca — disse o deputado.

A decisão de não aceitar as exigências agora deixa o PR mais próximo de partidos do chamado blocão (DEM, PP, PRB e SD) ou do PT, que também tem assediado Valdemar. Mesmo rachado, lideranças do blocão tentam uma saída em conjunto para a eleição deste ano. Caciques estão entre o apoio a Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB).

Nos últimos dias, o PSL discutiu os prós e contras da aliança com o PR. De um lado, a favor da composição, pesava o tempo de TV incorporado à campanha eleitoral. Hoje, o PSL, sozinho, teria cerca de 10 segundos para fazer o seu programa. Com o PR, seriam agregados mais 45 segundos, uma diferença substancial. A aliança com o PR também poderia ser um bônus em caso de vitória no pleito, já que Bolsonaro, com auxílio do partido aliado, teria mais condições de formar maioria no Congresso.

Por outro lado, com a desistência de Magno Malta, senador alinhado ideologicamente a Bolsonaro, há a ponderação de que a figura de Valdemar Costa Neto poderia se sobressair durante a campanha. Condenado e preso após escândalo do mensalão, a atuação do chefe do PR certamente seria explorada por adversários de Bolsonaro.

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Bruno Góes
O Globo
Editado por Política na Rede
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