quarta-feira, 18 de julho de 2018

Renan Calheiros prepara ofensiva contra candidatura de Meirelles


Imagem: Reprodução / Veja
Não é fácil a vida de Henrique Meirelles. O ex-ministro da Fazenda já estava empacado na lanterna da corrida presidencial, com 1% das intenções de voto. Agora enfrenta um adversário de peso no próprio partido: o senador Renan Calheiros.

Hoje o alagoano dará início a uma guerrilha telefônica para sabotar a candidatura, que chama de “ridícula”. Ele promete ligar para quase 800 políticos que participarão da convenção do MDB, no dia 2.

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“Vou fazer o dever de casa”, desafia Renan. “Insistir no Meirelles é uma estupidez. Ele tem atributos para ser um bom presidente da Febraban. Não para ser presidente do Brasil”, ataca. “O doutor Ulysses se lançou anticandidato, mas estava contra quem fazia coisa errada. O Meirelles é a favor desse pessoal”.

O senador pretende usar a disputa para medir forças com Michel Temer, padrinho político do ex-ministro. Os dois já se enfrentaram na convenção de 2006, quando o atual presidente apoiava Anthony Garotinho. Renan venceu o duelo, e o partido não teve candidato próprio.

“Não podemos transformar o PMDB num entreposto comercial”, diz o senador, recusando-se a chamar a sigla pelo novo nome. “O Meirelles nunca foi do partido. Nós o conhecemos da JBS e do Banco de Boston”, alfineta.

Para Renan, a candidatura do ex-ministro não tem chances de seduzir o eleitorado. “Ele errou a mão. O desemprego continua alto e a recuperação econômica não veio. Fizeram uma opção pela recessão”, critica. “Insistir nisso vai prejudicar muito o partido. O PMDB não pode ser condenado a arcar com esse ônus do 1%”.

O ex-presidente do Senado planeja uma surpresa para a convenção em Brasília. Ele pretende levar, como seu convidado, um artesão alagoano que fabrica bancos de madeira. “Se a pré-condição é ser banqueiro, vou levar um que dá emprego e paga impostos”, provoca.

Renan aposta no voto secreto e nas traições para melar o projeto de Temer, cujo governo classifica como “desastroso”. Ele apoiou o impeachment, mas não se diz arrependido. “Se eu votasse com a minoria, ficaria desmoralizado. Caía a Dilma de um lado e eu do outro”, justifica. “Não foi fácil. Agora torço pela eleição dela para o Senado”, arremata.

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Bernardo Mello Franco
O Globo
Editado por Política na Rede
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