quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Crimes de corrupção são declarados imprescritíveis na Argentina


Imagem: Damian Dopacio / Notícias Argentinas
Os crimes de corrupção na Argentina foram declarados nesta quarta-feira, 29, como imprescritíveis pela Câmara de Cassação Penal, a mais alta instância judicial antes da Suprema Corte de Justiça. 

A sentença, emitida pelo Centro de Informação Judicial, foi decidida em um caso dos anos 90 envolvendo executivos da multinacional IBM e ex-funcionários da Direção-Geral de Impostos pela compra de equipamentos superfaturados de US$ 120 milhões. Esse processo judicial foi declarado prescrito em 2016.

Mas a Câmara de Cassação Penal determinou agora que "a prescrição do caso não é constitucionalmente possível e o julgamento deve ser realizado com urgência". 

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Escândalo dos cadernos

A Argentina está abalada por vários escândalos de corrupção, o mais recente deles conhecido como "escândalo dos cadernos", um esquema de subornos que atinge a ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner, vários de seus colaboradores e muitos empresários do setor da construção. 

Por esse caso, Kirchner já participou de um interrogatório. Além disso, suas residências em Buenos Aires, Río Gallegos e El Calafate foram revistadas na semana passada.

Nesta quarta-feira, a ex-presidente da Argentina foi convocada para que amplie na próxima segunda-feira seu depoimento em uma causa na qual é acusada de ter recebido milionários subornos de empresários durante seu governo e o do seu marido, Néstor Kirchner (2003-2007), morto em 2010.

Em uma resolução divulgada pelo Centro de Informação Judicial, o magistrado Claudio Bonadio afirmou que, segundo os elementos de prova incorporada à causa e o declarado pelos acusados, entre eles os chamados "arrependidos", há "elementos suficientes" para que nos próximos dias se amplie a declaração indagativa de Cristina e outra dezena de acusados.

Kirchnerismo 

Entre eles o ministro de Planejamento Federal do kirchnerismo, Julio de Vido (já em prisão preventiva por outra causa), o secretário de Coordenação e Gestão dessa pasta, Roberto Baratta, e Gerardo Ferreyra, da empresa Electroingeniería.

A ex-presidente e atual senadora já compareceu aos tribunais federais no último dia 13 de agosto, onde apresentou documentos nos quais negou ter recebido propinas, se recusou a falar com juiz e o promotor e atacou o atual governo de Mauricio Macri pela "perseguição" que diz estar sofrendo para sua inabilitação política.

Hoje, ao saber da nova convocação do juiz, Cristina voltou a declarar que, com sua situação se busca esconder a realidade econômica do país, marcada por uma abrupta desvalorização do peso.

"O dólar está por chegar a 35 pesos e Bonadio volta a me chamar para uma indagativa na mesma causa das revistas", escreveu a ex-presidente no Twitter.

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O Estado de S. Paulo
Editado por Política na Rede
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