quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Cunhado diz ter 'agendado reuniões' em que se pediu recursos para campanha de Alckmin, mas nega caixa 2


Imagem: Gabriel de Paiva / Ag. O Globo
Citado na delação da Odebrecht como intermediário de repasses de caixa dois para a campanha de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo, em 2010, o empresário Adhemar Cesar Ribeiro, cunhado do tucano, apresentou defesa à Justiça em que explica, pela primeira vez, o seu papel como auxiliar de Alckmin. Ribeiro confirma que atuou oficialmente como “assessor” do tucano na disputa ao governo paulista naquele ano, admite ter usado seus contatos no universo empresarial para agendar reuniões com empresários e o tucano em que “doações eleitorais eram solicitadas”, mas nega ter recebido doações irregulares.

Desde o início da pré-campanha eleitoral, Alckmin não tem dado detalhes sobre a atuação do cunhado, definido por ele como um "simpatizante do PSDB". A manifestação de Ribeiro à Justiça, obtida com exclusividade pelo jornal O Globo, foi apresentada no dia 31 de janeiro deste ano e está em sigilo desde então.

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Em sua petição, no entanto, Ribeiro mostra que não era apenas um “simpatizante”, mas sim um assessor regular da campanha. “Nesta condição – de cunhado e assessor de campanha – cedeu um conjunto comercial de sua propriedade para ser usado como comitê de campanha política”, diz o cunhado na defesa. Ele é investigado pelo crime de caixa dois (falsidade ideológica eleitoral).

TESOUREIRO OFICIAL

Ao descrever seu papel no comitê, o cunhado de Alckmin afirma que possui trânsito no meio empresarial por ter participado de associações como a Febraban (federação dos bancos) e a Fenabrave (do setor automotivo), e que, por isso, “agendou reuniões entre o candidato e empresários, para que estes pudessem conhecer o programa de governo do candidato”. Frisou, porém, que nos encontros eram solicitadas somente doações legais: “Evidentemente, em tais reuniões também eram solicitadas doações eleitorais, sempre por meios lícitos e declarados.”

O cunhado afirmou que, quando os empresários concordavam em doar, eram encaminhados ao tesoureiro oficial da campanha de Alckmin. “O peticionário (Ribeiro) não era tesoureiro de campanha e, pois, quando havia a concordância de algum empresário em se proceder a uma doação, encaminhava-se a formalização para o tesoureiro”, diz a defesa, acrescentando que Ribeiro “jamais recebeu qualquer doação eleitoral não contabilizada para campanha de seu cunhado”.

Questionado nesta quinta-feira pelo "Jornal Nacional" sobre as acusações envolvendo seu cunhado, classificou-as de “mentira”, mas detalhou o papel de Ribeiro nas campanhas. Em sabatina realizada pela Folha, UOL e SBT em 23 de maio, foi questionado especificamente sobre qual era a função do cunhado em suas campanhas. O tucano respondeu: “Simpatizante do PSDB, ele é casado com uma banqueira, se não me engano era banqueiro, dono de financeira, simpatizante do partido, nada mais do que isso, aliás não tem nenhuma relação com o governo”.

Em sabatina da GloboNews realizada em 2 de agosto, foi questionado sobre as acusações de que o cunhado captou caixa dois da Odebrecht e deu a seguinte resposta: “O irmão da minha esposa é casado com uma banqueira, banqueiro, dono de financeira, nunca participou de tesouraria nenhuma, nenhuma, nenhuma. As nossas campanhas sempre foram modestas e rigorosamente dentro da lei”.

SEM COMENTÁRIOS

Procurado nesta quinta-feira para comentar o depoimento do cunhado, o candidato afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que Adhemar Ribeiro nunca exerceu função de arrecadador: "O depoimento está sob segredo de justiça, e a defesa de Geraldo Alckmin não teve acesso mesmo após ter solicitado, portanto não há o que comentar. Causa espanto, inclusive, que a imprensa tenha conhecimento de teor de depoimento sigiloso. Reforçamos que Adhemar Ribeiro nunca exerceu função de arrecadador em campanhas de Geraldo Alckmin. Ressaltamos ainda que o ex-governador nunca autorizou que pedissem ou recebessem recursos em seu nome ilegalmente. Todas as campanhas de Alckmin seguiram o que determina a legislação eleitoral".

Foi a primeira declaração do cunhado de Alckmin no inquérito, aberto com base na delação da Odebrecht. Segundo o depoimento de um dos ex-executivos da empreiteira, o cunhado de Alckmin teria recebido repasses de recursos via caixa dois em diferentes momentos entre julho e outubro de 2010. “Algumas entregas foram realizas no escritório de Adhemar Ribeiro, conforme solicitado por ele diretamente a mim em reuniões que tivemos no mesmo local (…) Meus encontros com Adhemar ocorreram no período entre julho e outubro de 2010, com o objetivo de acertar os detalhes dos referidos pagamentos, como informações das senhas e endereços para efetivação das entregas”, diz o delator.

Um dos repasses, de R$ 2 milhões, segundo o delator, foi combinado diretamente com Geraldo Alckmin, numa reunião no mesmo “conjunto comercial” que o cunhado de Alckmin admite ter emprestado ao tucano para ser a sede do seu comitê de campanha. “Geraldo Alckmin determinou pessoalmente à sua secretária que me passasse os dados de contato de Adhemar Ribeiro, o qual seria incumbido dos recebimentos”, afirma o delator. O tucano nega e diz tratar-se de uma mentira.

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O Globo
Editado por Política na Rede
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