quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Ex-funcionários de Cristina Kirchner e grandes empresários são presos após revelação de propinas milionárias


Cristina Kirchner foi chamada a depor, mas não pode ser
presa porque tem foro privilegiado.
Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A Justiça da Argentina deteve nesta quarta-feira ao menos dez ex-funcionários kirchneristas e grandes empresários por corrupção em obras públicas, em uma operação apelidada de “Lava Jato argentina” no país vizinho. O depoimento principal na investigação é o de um motorista que anotou ao longo de anos em caderninhos o transporte de pelo menos US$ 160 milhões em propina. Ele cita envios à casa de Néstor e Cristina Kirchner, senadora que foi chamada a depor.

O processo relaciona muitas das empresas mais importantes da Argentina que, segundo a apuração, durante anos entregaram milhões de dólares em dinheiro a Roberto Baratta, ex-subsecretário de Coordenação e Gestão do Ministério de Planejamento. O dinheiro de propina arrecadado terminaria na casa particular do casal Kirchner, na Quinta de Olivos ou no escritório da chefia de gabinete.

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Vários dos funcionários mais próximos do ex-presidente Néstor (2003-2007), morto em 2010, e do ministro de Planejamento do período kichnerista, Julio de Vido, são acusados de formar uma associação ilícita que, de 2005 e 2015, se dedicou a obter propinas de empresas terceirizadas de obras públicas.

Cristina, que governou a Argentina de 2007 a 2015 e exerce o cargo de senadora, foi convocada pelo juiz federal Claudio Bonadío para prestar declarações no dia 13, mas não se sabe se na condição de testemunha ou indiciada. Ela não fez declarações sobre essa nova acusação.

Também deverão ser ouvidos o ex-juiz Norberto Oyarbide, que manteve reuniões com pessoas envolvidas no esquema de propinas, segundo anotações feitas por dez anos pelo motorista Oscar Centeno, ex-funcionário do Ministério de Planejamento. Centeno trabalhou como motorista de Baratta, mão direita de De Vido. De acordo com o jornal Clarín, a Justiça propôs nesta quarta-feira a ele participar de uma delação premiada, para obter vantagens no cumprimento de sua pena, caso haja condenação.

A investigação começou quando cadernos nos quais Centeno anotou vários dados sobre o esquema de propina foram entregues anonimamente ao jornal La Nación. Três jornalistas iniciaram a apuração, sobre a qual a Justiça avançou desde abril, checando as milhares de anotações feitas pelo ex-motorista.

Nos oito cadernos cujas cópias foram entregues pelo jornal ao promotor Carlos Stornelli, há datas, valores nomes e endereços dos envolvidos no esquema.

Segundo as anotações de Centeno, o pagamento em dinheiro dos subornos seguia para a residência presidencial e para o apartamento onde a senadora Cristina Kirchner vive quando está em Buenos Aires, no bairro Recoleta.

Após a morte de Kirchner, Centeno interrompeu as anotações, que foram retomadas em 2013. De acordo com a apuração, o método foi então alterado e começaram a ser usados veículos da chefia de gabinete para o transporte de propinas.

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Segundo cálculos da promotoria, somente pelo Toyota Corolla conduzido por Centeno passaram US$ 160 milhões, apesar de os investigadores acreditarem que o valor transportado poderia ter sido 50% maior, se forem levadas em considerações anotações sem um valor concreto. 

Não é a primeira vez que Cristina é chamada a depor, pois é investigada por outros casos de suposta corrupção. A senadora tem foro privilegiado e teria de ser removida do cargo no Congresso para ser detida.

A ex-presidente argumenta que Bonadío é um juiz parcial e responde aos interesses do governo do presidente Mauricio Macri. O juiz pediu em 2017 a remoção do foro da senadora com o objetivo de prendê-la no contexto de outra investigação, mas o pedido está até hoje em avaliação pelos legisladores.  Cristina negou em reiteradas ocasiões as acusações contra ela.

Além de Centeno e Baratta, foram detidos Rafael Llorens, ex-secretário de Coordenação e Controle de Planejamento; Walter Fagyas, ex-diretor da Energia Argentina SA (Enarsa). Entre os empresários, já foram presos Gerardo Ferreyra e Luis Neyra, da Electroingeniería, e Javier Sánchez Caballero, da Iecsa, companhias que ganharam licitações durante a gestão de De Vido.

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O Estado de S.Paulo
Editado por Política na Rede
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