sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Petista usou verba da Câmara para oferecer aplicativo de elogios fakes a candidatos


Imagem: Reprodução / Facebook
O deputado e candidato do PT ao Senado por Minas Gerais Miguel Corrêa, dono de empresas envolvidas no esquema de compra de elogios em redes sociais, usou dinheiro da Câmara dos Deputados para promover seus negócios no universo empresarial. O petista é dono da agência Follow, que administra os aplicativos Follow e Brasil Feliz de Novo, ferramentas que remuneravam internautas em troca de compartilhamento de conteúdos de candidatos do PT e do PR, o que viola a legislação eleitoral. Durante três meses, entre maio e julho, quando se preparava para atuar no mercado eleitoral, Corrêa e um de seus assessores visitaram 14 capitais com passagens aéreas compradas pela Câmara dos Deputados a um custo de R$ 42,6 mil aos cofres públicos. O jornal O Globo confirmou que o deputado tentou vender os produtos de sua empresa a candidatos em quatro viagens – Rio de Janeiro, São Luís, Curitiba e Fortaleza.

Acompanhe o julgamento do pedido de registro da candidatura de Lula: 



O deputado-empresário teve encontros pessoais com o candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, com o senador petista Lindbergh Farias, que tenta a reeleição no Rio, e com o governador e candidato à reeleição no Maranhão, Flavio Dino. Corrêa também foi ao Paraná, mas a conversa para vender os serviços da Follow se deu com assessores da candidata ao governo, Cida Borghetti (PR). Segundo fontes ouvidas pelo jornal, Corrêa também teve encontro com o governador do Piauí, Wellington Dias, em Teresina, mas o petista não respondeu aos questionamentos sobre o caso.

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O assessor e parceiro de negócios do petista, Rodrigo Cardoso, dono da BeConnect, esteve em boa parte das viagens bancadas com dinheiro público. A agência de Cardoso faz parte da lista de empresas que teve o pedido de sigilo fiscal solicitado pelo Ministério Público Eleitoral de Minas na quarta-feira. Todos os quatro candidatos confirmaram ao jornal O Globo terem recebido a proposta de contratação do serviço de compra de elogios nas redes sociais, mas dizem que não contrataram o serviço do deputado petista.

Integrante da bancada parlamentar de Minas, o deputado usou sua verba de gabinete para viajar a Teresina, Salvador, São Paulo, Natal, Vitória, Maceió, Belém, Goiânia, Porto Alegre, Florianópolis e Recife. Perguntado sobre que tipo de interesses dos contribuintes mineiros ele teria defendido nessas viagens a outros estados, o parlamentar não deu detalhes de sua agenda, mas disse que as visitas serviram para "gerar empregos".

— Não existe nada nas leis e nem na Constituição que me impeça de debater o que amo e o que gera empregos no país. Tenho minha vida talhada nisso. Muitos cursos superiores. Mas vim da periferia. O que me dá fibra — disse Corrêa.

Na quarta-feira, o jornal O Globo revelou que registros internos da agência Follow mostram que o sistema irregular de campanha foi utilizado para propagar materiais de 14 candidatos a diferentes cargos nestas eleições, incluindo o nome do PT à Presidência, o ex-presidente Lula, preso em Curitiba desde abril. De postulantes ao Senado, como Lindbergh, a candidatos aos governos estaduais, como os petistas Fernando Pimentel, em Minas, Dias, no Piauí, Luiz Marinho, em São Paulo, Márcia Tiburi, no Rio de Janeiro, e Décio Lima, em Santa Catarina. Também foram impulsionados candidatos a vagas na Câmara, como Tiririca (PR-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Kátia Sastre (PR-SP), Andréia Gonçalves (PR-SP) e Luciana Costa (PR-SP). Até agora, ninguém admitiu ter pagado pelo serviço.

Os aplicativos Follow e Brasil Feliz de Novo funcionam da seguinte forma: há uma cartela de notícias em que o “ativista digital” pode capturar o endereço e compartilhar em suas redes. Quanto mais notícias os recrutados compartilham, mais pontos eles ganham — e, por tabela, mais dinheiro. O aplicativo também sugere o cumprimento de “missões”, como postar comentários pessoais favoráveis aos candidatos.

O Follow tem uma rede de “ativistas digitais” superior a 27 mil cadastrados, segundo dados da próprio empresa. Na terça-feira, o procurador regional eleitoral auxiliar Bruno Nominato pediu a quebra do sigilo fiscal de seis empresas envolvidas no esquema. Pediu que a Apple informe em 48 horas todos os usuários que baixaram os aplicativos.

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Bruno Góes e Mateus Coutinho
O Globo
Editado por Política na Rede
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