segunda-feira, 13 de agosto de 2018

'Precisamos do fim da propriedade privada', defende Vera, candidata à Presidência pelo PSTU


Imagem: Edilson Dantas / Ag. O Globo
Candidata ao Planalto pelo PSTU, Vera Lúcia, de 50 anos, defende um governo estatizante e a expropriação do sistema bancário e das cem maiores empresas do país. Ativista sindical de Sergipe e ex-operária, formada em Ciências Sociais, ela afirma ser necessário revogar as reformas implementadas por Michel Temer e critica os partidos de esquerda, que para ela se dedicam à defesa da libertação do ex-presidente Lula.


Como a senhora vê a fragmentação da esquerda nessa eleição?
Os partidos de esquerda estão unidos debaixo da asa do PT. Eles têm candidatos diferentes, mas a principal tarefa da esquerda é a campanha Lula Livre. Não há diferença entre os projetos. O Guilherme Boulos (pré-candidato do PSOL) propõe fazer plebiscito para que os trabalhadores decidam se querem ou não as reformas de Temer. O que isso muda na vida da classe trabalhadora? Não nos encaixamos nessa denominação. O PSTU é socialista revolucionário. Só defende a classe trabalhadora.

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O que acha da tese de que o ex-presidente Lula é um perseguido político?
Lula está preso porque é acusado de corrupção e foi condenado. Está colhendo o que plantou. O Lula traiu os trabalhadores descaradamente. A crise e o desemprego são consequência do governo dele, da Dilma e também do PSDB.

O projeto da senhora defende uma revolução socialista. Como implementaria isso?
O primeiro passo é organizar os trabalhadores e anular todas as reformas: teto de gastos, mudanças na lei trabalhista e terceirização. O segundo é o não pagamento da dívida pública e o não envio das remessas de lucro das multinacionais para o exterior. Depois, a implementação da reforma agrária em latifúndios. Os empresários hoje são os donos dos meios de produção. Precisamos do fim da propriedade privada para que possamos socializar isso. Defendo a expropriação das cem maiores empresas do país, do sistema bancário, (a anulação) de concessões de portos e aeroportos e a reestatização das empresas que foram privatizadas, inclusive da Vale, e sem indenização. Portos e aeroportos sob controle da iniciativa privada voltariam ao controle do poder público. Feito isso, poderíamos reduzir a jornada de trabalho e lançar um plano de obras para absorver a massa de desempregados.

Isso não poderia provocar fuga de investidores e levar ao caos econômico?
Os banqueiros e os empresários podem ir embora. Não precisamos deles. Hoje, cem grandes empresários concentram quase 70% da riqueza. Tem que estatizar. O que estamos propondo é uma sociedade socialista de fato. Não existe sociedade socialista sem democracia operária. Os trabalhadores têm que decidir. O estado em que vivemos é democracia para rico. Para o pobre é uma ditadura.

Esse projeto de 'revolução socialista' tem apoio popular?
Os nossos apoiadores acham que é difícil de ser implementado. Mas não acham que é utopia. Como exigir que o PSTU tenha o seu programa conhecido pelas massas num país continental como o Brasil se nunca tivemos mais de um minuto de tempo de televisão numa eleição? E agora vamos ter apenas sete segundos.

O Bolsonaro deve ter oito segundos e lidera as pesquisas, no cenário sem Lula...
Só que ele (Bolsonaro) é deputado federal há sete mandatos. Ele é milionário. Esses senhores não passam a dificuldade que a gente passa.

A senhora acredita que possa ser eleita?
Não digo que é impossível. Mas, mesmo se fosse, não resolveria os problemas da pátria. Os trabalhadores precisariam se organizar.

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Gustavo Schmitt
O Globo
Editado por Política na Rede
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