segunda-feira, 6 de agosto de 2018

PT oficializa candidatura de Fernando Pimentel e Dilma em Minas


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Desgastado por acusações de corrupção e pela crise financeira no estado, o governador Fernando Pimentel foi oficializado, na tarde deste sábado, candidato à reeleição, em convenção do PT na qual questões sobre Minas perderam espaço para o discurso usado nacionalmente pelo partido de que o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi um "golpe". O governador disse que é vítima de "processos injustos e calúnias", minimizou atrasos do estado no pagamento a servidores e evitou a imprensa.

Pimentel enfrentará nas urnas o seu antecessor no governo de Minas, o senador Antonio Anastasia (PSDB). Com os tucanos como principais adversários, o governador em crise de popularidade e Dilma candidata ao Senado, o PT quer transformar a campanha no estado na disputa entre apoiadores e críticos ao impeachment. Na mesma linha, Pimentel e a ex-presidente destacaram, em seus discursos, a defesa pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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— A Dilma foi vítima da traição, da conspiração sórdida, nojenta, asquerosa dos adversários, não nossos, mas do Brasil. Eu também sofri esse tempo todo, da perseguição, das acusações, dos processos injustos, das calúnias, das armações feitas, usando parte do Judiciário, que é contra nós, um pedaço do Ministério Público, que é contra nós, um pedaço da Polícia Federal, que é contra nós. Ou vocês acham que o presidente Lula está preso de graça? — questionou Pimentel, acrescentando que a recompensa pelo "sofrimento" são ações do governo de Minas.

Em um ataque aos adversários, Pimentel chamou a Cidade Administrativa, sede do governo construída na gestão Aécio Neves (PSDB), de "palácio de luxo". O governador tem despachado no Palácio da Liberdade, numa região mais central de BH. Pimentel já teve boas relações com Aécio, com quem se uniu em 2008 para eleger Marcio Lacerda (PSB) para a Prefeitura de BH.

— Vale a pena estar do lado certo, do lado Lula, do lado da Dilma. Vai ser uma eleição em que o nosso povo vai votar do lado certo, do lado dele. É por isso que vamos eleger Lula de novo. Ele pode estar condenado, pode estar preso. Podem proibi-lo de falar. Não tem importância. O povo vai lá e vota — disse Pimentel, repetindo várias vezes que está "do lado certo".

Na campanha, o PT apostará fortemente no "voto casado". Como na convenção, que trazia várias peças com a foto de Lula, Dilma e Pimentel juntos, o material de campanha reforçará o laço dos três. No evento, o jingle tocado também pedia voto conjuntamente aos três.

Sobre a crise no estado, que parcela pagamentos ao funcionalismo desde 2016, registrando, ainda assim, atrasos, Pimentel jogou para o governo federal. Disse que a solução proposta como recuperação fiscal era a venda do "patrimônio de Minas", como a da estatal de energia elétrica do estado, a Cemig.

— Não somos loucos. Tem problema no estado? Tem. Tem atraso no pagamento de vez em quando? Tem. Mas não vamos vender o patrimônio de Minas a preço de banana — disse.

Dilma disputa vaga no Senado

No mesmo evento, Dilma foi oficializada candidata ao Senado, também com o discurso sobre o impeachment. Ela foi mais festejada pela militância que Pimentel. Pediu voto para o companheiro e Lula, além de citar deputados estaduais e federais. Os petistas exibiram ainda vídeo com uma carta, que, segundo os apresentadores, foi enviada da prisão por Lula. No texto, ele diz que os petistas são perseguidos injustamente e faz críticas aos tucanos. Sobre a desistência de Aécio à reeleição ao Senado, o ex-presidente disse que ele lançou o prato "escondidinho de tucano".

Dilma reforçou o peso de Minas, segundo maior colégio eleitoral do país, na campanha à Presidência:

— Vai se travar a batalha decisiva. Se não ganharmos aqui, perdemos no Brasil.

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Amanda Almeida
O Globo
Editado por Política na Rede
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