quarta-feira, 5 de setembro de 2018

'Por vergonha', não divulgam mais pesquisa eleitoral, afirma Haddad


Imagem: Heuler Andrey / AFP
Em discurso para metalúrgicos na portaria da Ford, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou que institutos de pesquisa suspenderam a divulgação de sondagens eleitorais por "vergonha" do processo que barrou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Justiça Eleitoral. "Agora nem estão divulgando mais pesquisa de vergonha pelo que eles fizeram", disse Haddad, nesta quarta-feira (5/9), em carro de som em frente à montadora. O ex-prefeito é candidato a vice e possível substituto de Lula na corrida à Presidência. 

Nessa terça-feira (4/9), o Ibope anunciou que não divulgaria pesquisa que foi a campo após registrar um questionário apresentando Lula como candidato em um cenário e Haddad em outro e indo a campo apenas com o cenário em que o ex-prefeito é o nome do PT na disputa. O Datafolha também anunciou que cancelou pesquisa que seria divulgada nesta semana.

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Enquanto Haddad cumprimentava os eleitores, militantes petistas distribuíram material de campanha exibindo Lula como candidato à Presidência. Após ser barrado pela Justiça Eleitoral, o ex-presidente está impedido de ser apresentado como candidato.

Ao lado da esposa, Ana Estela, de Manuela D'Ávila (PCdoB) e de candidatos do PT em São Paulo, Haddad procurou se apresentar aos eleitores nos locais conhecidos como redutos eleitorais de Lula. "Prazer, Fernando", disse o ex-prefeito a alguns metalúrgicos, a quem cumprimentou como "parceiros". 

Haddad trajava uma jaqueta preta, por cima de uma camiseta e de uma camisa rosa social, calça jeans e sapato marrom. Foi aconselhado a trocar a jaqueta por uma oficial do sindicato dos metalúrgicos.  

Aos aliados, o ex-prefeito quis medir a temperatura da campanha. "Como está o clima na rua? Vai decolar? Periferia, vai?", perguntou ao candidato a senador Jilmar Tatto. "Parece 2002", respondeu Tatto, em referência à primeira eleição de Lula ao Planalto.  

Time do Lula

No carro de som, o partido pedia "votos no 13", em alguns momentos afirmando que o voto era destinado a Lula e em outros apresentando Haddad e Manuela como parte do "time de Lula".

Diante do desafio de fazer Haddad conhecido entre os eleitores simpáticos a Lula, aliados admitiam que há uma dúvida entre os metalúrgicos que ainda veem o ex-presidente como elegível. "No debate interno, tem muita pergunta. 'Cadê o Lula?' Na comparação com o Lula, não é na mesma proporção. Ainda é preciso trabalhar essa ideia, mas se essa for a principal ideia. Hoje, a principal é o Lula candidato", disse o coordenador do comitê sindical dos funcionários da Mercedes-Benz, Max Pinho.

Na primeira fábrica que esteve, a da Mercedes-Benz, Haddad fez um vídeo para as redes sociais defendendo uma nova política industrial para geração de empregos. Na Ford, ele pegou o microfone para defender o direito de Lula ser candidato e afirmar que a legenda "vai até as últimas consequências em defesa do Lula". Haddad fez ainda críticas ao governo Temer e ao PSDB.

"Vamos trabalhar nos próximos 30 dias duro para a gente chegar ao segundo turno tranquilos e aí debater projeto contra projeto", discursou. Depois das duas fábricas, Haddad e aliados entraram em um bar para tomar café e comer pão com manteiga. O ex-prefeito recusou o prato e disse que queria pão com queijo derretido. Os candidatos visitarão ainda nesta quarta outras fábricas no ABC paulista.

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Correio Braziliense
Editado por Política na Rede
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